ESPECIAL: Justiça ao Hamilton Lucas de Oliveira

TV aberta hoje é coisa pra terceira idade . Isso não é uma ofensa ou provocação sarrista, é a mais pura realidade . Cerca de 90% das pessoas...

sábado, 27 de agosto de 2016

OPINIÃO: Horário Eleitoral Gratuito

"Interrompemos nossa programação para a transmissão do horário eleitoral gratuito obrigatório de acordo com a lei número 9.504/97. Dentro de 10 minutos, voltaremos com a nossa programação normal". Pois é amigos, a cada dois anos a nossa televisão aberta brasileira é submetida as normas do Tribunal Superior Eleitoral para a insuportável transmissão do Horário Eleitoral Gratuito. Mas não é só no horário das 13 horas e das 20h30 não, é também nos intervalos que vem pra cima da gente aquela avalanche de jingles-chiclete e um autêntico festival de ataques e insultos. Propostas que enriquecem e ilustram as candidaturas que disputam a predileção do eleitorado, nada.
Eu, neste blog, assumo minha posição de apolítico, isto é, não tenho nenhuma preferência partidária. Fui criado num ambiente de verdadeiro pluralismo político: neto de janista, filho de lulista e enteado de dois malufistas. Eu era pequeno, tinha 3 anos, quando presenciei a primeira eleição direta para presidente e vivia imitando os candidatos da época. Com o tempo, me acostumei com o Horário Eleitoral na televisão onde os eleitores se enchiam de esperanças por dias melhores na cidade, no estado e no país. Mas mal termina a eleição e vem a ducha de água fria, o povo quebra a cara e se arrepende ao colocar no poder gente errada que teve toda a sorte do peso da legenda, do marketing político e de uma campanha multi-milionária (distribuindo uma propina aqui, uma outra ali, sem contar as tais "doações" de dinheiro ilícito, vide Lava-Jato) com o intuito de esconder sua verdadeira face. E muitos deles gostam disso de tal forma que se perpetuam no poder. Essa é a realidade.
Mas voltando ao Horário Eleitoral Gratuito, houve uma pequena Reforma Eleitoral em dezembro de 2015 e isso merece uma opinião coerente: FOI A MELHOR COISA QUE FIZERAM PARA CONTER A TROCA DE INSULTOS, LEVAREM MAIS A SÉRIO A CAMPANHA ELEITORAL E TAMBÉM PENSARAM NOS RADIODIFUSORES, POIS PRECISAM FATURAR COM AS INSERÇÕES COMERCIAIS E TER MAIS ESPAÇO NA PROGRAMAÇÃO DO HORÁRIO NOBRE, PRINCIPALMENTE. PARABÉNS AO TSE! Para que todos compreendam melhor como funciona o novo HEG, vou dar uma resumida: são dois blocos de 10 minutos cada de domingo a domingo durante um período de aproximadamente 35 dias. A propaganda de candidatos a vereador acabou, felizmente, talvez com a intensão do TSE exterminar de vez com o que chamam de "Hilário Eleitoral", pois eleição é coisa séria e não um picadeiro suscetível as palhaçadas populistas e um tanto demagógicas de zé manes em troca de votos das classes baixas, seduzidas facilmente com tal discurso. As inserções nos intervalos comerciais (que podem variar entre 30 e 60 segundos) terão um total de 70 minutos diários e deverão ir ao ar entre 5 da manhã e meia-noite, sendo 42 minutos para os candidatos a prefeito e 28 para os de vereador. Aí eu discordo, pois os três maiores partidos políticos do país poderão ocupar mais tempo, comparado aos demais, nessas inserções divulgando seus candidatos às eleições municipais. A propaganda paga é proibida por lei, o conteúdo eleitoral é de inteira responsabilidade das coligações/frentes/chapas e censura prévia ou cortes instantâneos em suas emissões também são proibidos. Por lei, a propaganda eleitoral, bem como os debates promovidos pelas emissoras de TV, deve utilizar recursos que permitam a acessibilidade aos deficientes visuais e auditivos: audiodescrição, legendas (ocultas ou não) e janela com intérprete de linguagem de sinais. Mas sinceramente, a imagem não vai ficar poluída demais com legenda e linguagem de sinais ao mesmo tempo a surdos-mudos ao mesmo tempo? Prefiro as legendas, pois é mais ágil, objetivo, compreensível e econômico. E como foram definidos os tempos dos programas eleitorais no horário gratuito e inserções nos intervalos da programação normal? A nova divisão, de acordo com a Reforma Eleitoral foi estabelecida de acordo com o número mínimo de nove parlamentares por partido na Câmara dos Deputados, sendo 90% do tempo foram distribuídos proporcionalmente, quanto mais deputados federais do partido/coligação, mais tempo receberão seus candidatos. Os 10% restantes foram distribuídos igualmente ao restante das candidaturas, aquelas que possuem menos de nove deputados ou nenhum representante na Câmara. Quinze partidos tem o privilégio de terem mais tempo no horário eleitoral, inserções nos intervalos e direito a participação em debates por terem exatamente o mínimo de nove parlamentares, previstos por lei: PT, PMDB, PSDB, PP, PSD, PSB, PR, PTB, PRB, DEM, PDT, SD, PSC, PROS e PPS.
A Reforma Eleitoral mereceria só elogios? Nem tudo é um mar de rosas, convenhamos que foi um grande avanço o TSE reduzir a duração da campanha eleitoral audiovisual, pensar no tempo das emissoras e no telespectador não ter que aguentar um verdadeiro espetáculo de anti-candidaturas. Pra isso, aproveito e exponho minhas ideias para melhorar não só o Horário Eleitoral no futuro, mas a maneira de se fazer eleições no Brasil, que sempre ocorrem de dois em dois anos. Confiram:

- Reduzir a quantidade de partidos políticos na casa das duas dezenas, vinte e poucos, atualmente são 35 (um absurdo).
- Todas as eleições municipais, estaduais e federais devem ocorrer no mesmo ano, ao mesmo tempo e sem direito a reeleição em todos esses cargos.
- Fortalecer as coligações/frentes/chapas e verticalizá-las conforme os cargos eletivos para evitar constrangimentos involuntários de partidos com ideias divergentes se aliarem por um candidato.
- As emissoras de rádio e televisão deverão emitir 3 blocos de 15 minutos cada de propaganda eleitoral gratuita de domingo à domingo nos aproximados 35 dias antecedentes às eleições.
- No rádio, as transmissões do horário eleitoral deveriam ser das 07h00 às 07h15, das 12h00 às 12h15 e das 20h00 às 20h15. E na televisão, as transmissões deveriam ser das 08h00 às 08h15, 13h00 às 13h15 e das 20h30 às 20h45.
- Os cargos majoritários (prefeito, governador, senador e presidente) teriam 9 programas cada um ao longo da campanha eleitoral. Os candidatos a cargos proporcionais (deputados e vereadores) só terão direito às inserções, não tendo mais direito aos blocos de programas.
- Todas as candidaturas devem dispor dos mesmos recursos indispensáveis para a produção de seus programas no rádio e na TV (estúdios, câmeras, ilhas de edição, computação gráfica, etc).
- Os tempos de cada programa e das inserções, bem como a garantia da presença de candidatos a debates, devem estar de acordo com uma média de parlamentares da Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas, Câmara dos Vereadores e Senado onde seria definida a percentagem partidária (a coligação/frente/chapa que possuir a maior soma dessas percentagem partidárias, terá mais tempo), sendo que o tempo mínimo de programa deve ser de 15 segundos (até porque em 5 segundos não dá pra se fazer nada em termos de horário eleitoral).
- Quanto as inserções nos intervalos das programações, devem ser de 45 minutos totais de apenas 30 segundos a partir da primeira inserção diária do horário eleitoral até a meia-noite, obedecendo a proporção 55% para cargos majoritários e 45% para os proporcionais.
- Proibir a propaganda eleitoral de apelo infanto-juvenil.
- Apenas os candidatos, bem como os vices e suplentes, é quem devem falar na propaganda eleitoral, não podendo falar aqueles que não vão concorrer e também não pode ter o recurso do "fala-povo" e imagens de pessoas comuns declarando seu voto para tal candidato e/ou falando mal de qualquer concorrente.
- O HEG do segundo turno no rádio e na televisão deveria ser iniciado uma semana após as eleições do primeiro turno com duração aproximada de 25 dias, cada cargo majoritário com esse direito (prefeito, governador e presidente) teriam 8 programas cada e as coligações/frentes/chapas teriam 5 minutos fixos de programa cada um, fazendo com que os blocos da propaganda eleitoral tenham seus tempos reduzidos de 15 para 10 minutos nesse período. Quando as inserções nos intervalos das programações, deveriam ser de 30 minutos totais de apenas 30 segundos.

E como será a campanha eleitoral no rádio e na TV em 2018? Os pequenos avanços promovidos pela Reforma Eleitoral serão mantidos? Para aqueles que não tem saco e não aguentam tantos jingles e spots dos candidatos ao longos dos intervalos, seja no rádio ou na televisão, aceitem minha recomendação: desliguem o rádio, ouçam um CD ou MP3 e assinem uma boa TV por assinatura para fugirem das anti-propagandas das mensagens partidárias. Assim estarem neutralizados e prevenidos de iminentes lavagens cerebrais dos maiores partidos do Brasil que polarizaram e dividiram nosso país. Para aqueles que estão à caça de candidatos que dignifiquem seus votos, outro conselho: pensem bastante até o dia da eleição para não sentirem remorso, arrependimento ou dor na consciência nos próximos quatro anos, não sejam iludidos por discursos sedutores que se lançam às portas do populismo e da demagogia (que infelizmente faz as classes mais baixas morder a isca facilmente) e não sejam marias-vai-com-as-outras (aconselhados até por pesquisas de intensão de voto) ou simplesmente não votar em alguém só porque não vai ganhar. Esse tipo de mentalidade é a grande responsável pela péssima democracia que nós temos, infelizmente. É justamente na campanha eleitoral que as propinas fazem a festa (vide Eleições de 2014), todo mundo quer encher o bolso com uma graninha a mais em troca de favores e quando acaba a folia eleitoreira, a verdade logo vem quando esse pessoal sobe ao poder.
Para saber mais como funciona o novo esquema do HEG, acessem este link bem legal e interessante do site Politize!http://www.politize.com.br/como-funciona-o-horario-eleitoral-gratuito/

Curiosidade: Este ano é "comemorado" o 50º Aniversário do Horário Eleitoral Gratuito, pois é! Foi graças a criação do Código Eleitoral Brasileiro pelo Tribunal Superior Eleitoral em 15 de julho de 1965, cuja Lei nº 4.737 instituiu a transmissão obrigatória da propaganda eleitoral no rádio e na televisão durante o período de campanha eleitoral, 30 dias antes das eleições. No ano seguinte, em 1966, a lei foi colocada em prática com as eleições para as Assembleias Legislativas (deputados e senadores) e na TV, os horários eleitorais eram inicialmente transmitidos diariamente e simultaneamente para todas as emissoras de televisão de nove cidades brasileiras (Bauru, Belém, Curitiba, Florianópolis, Londrina, Porto Alegre, Recife, São Luís do Maranhão e São Paulo) em dois períodos de meia-hora cada: das 13h00 às 13h30 e das 20h30 às 21h00, além de mais 10 minutos diários de inserções gratuitas de 30 segundos dos candidatos durante os intervalos da programação das emissoras de TV entre 19 e 22 horas. E foi justamente na primeira eleição bipartidária da história (devido a extinção dos partidos políticos em 27 de outubro de 1965, imposto pelo Governo Militar da época) envolvendo ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). A primeira transmissão da Propaganda Eleitoral Gratuita da história da TV brasileira é datada em 5 de setembro de 1966 e como as emissões eram ao vivo naquela época, cada candidato tinha "apenas" 5 minutos para apresentar suas propostas. E tome parlatório. Por incrível que pareça, o Horário Eleitoral Gratuito tem muita história pra contar. Mas isso deixo para uma outra oportunidade. Não percam!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

HISTÓRIA: A Tele-Solidariedade

Todos os anos, a gente liga a TV e sempre tem alguma emissora aberta lançando algum tipo de campanha beneficente em prol de alguma coisa, seja para os doentes, para as crianças e para os deficientes. Pelo menos uma vez é sempre assim e tem campanhas para "todos os gostos". Mas isso já existe desde os anos 60, pelo menos aqui no Brasil. Foi a TV Excelsior que introduziu o que podemos chamar de "Tele-Caridade", em 1963, quando reuniu todo aquele seu cast de artistas e jornalistas em prol das crianças carentes, isso duas vezes por ano! No Dia das Crianças e no Natal, quando pedia aos telespectadores a doarem desde quantias em dinheiro até brinquedos em prol da Cruzada Pró-Infância, seja por telefone ou até em pedágios nos arredores do local da campanha. Como não havia transmissão em rede, a campanha teve que fazer separado tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. A maratona de shows de mais de 24 horas nos estúdios da extinta emissora era intitulada Grande Noite de Vigília da Criança Brasileira e era amplamente divulgada pelas mídias da época com essa seguinte frase de estímulo "Faça uma Criança Sorrir". Isso se estendeu por toda a década de 60.
Com o fim da TV Excelsior, as campanhas de solidariedade na TV pareciam estar entregues ao esquecimento quando em 1978, a uma semana antes do Natal, a Rede Globo relançou a maratona de solidariedade escalando o cantor Roberto Carlos para liderar uma campanha em prol das crianças carentes, anunciando que o ano seguinte, 1979, foi instituído pela ONU como o "Ano Internacional da Criança" e foi intitulada Um Milhão de Amigos, em alusão a música "Eu Quero Apenas". Foi uma maratona de 24 horas de programação especial, entre 16 e 17 de dezembro, e ao invés de um show contínuo, foi instituído uma programação especial que começava com uma apresentação do "Rei", show musical alternado entre Rio e São Paulo, uma roda de seresteiros, uma missa especial, apresentações esportivas ao ar livre, um jogo de futebol beneficente e programas normais da grade de domingo especialmente temáticos para a ocasião com direito a presença de convidados especiais. Isso sem contar que nos intervalos, haviam matérias especiais produzidas pela equipe do Globo Repórter mostrando os problemas enfrentados na infância. Para receber as doações, agências bancárias do Banco Real fizeram plantão durante aquele domingo, assim como o elenco Global, que vendeu entre outros presentes cartões de Natal da UNICEF pelas ruas de todo o país.
Em 28 de junho de 1981, um domingo também, novamente a Rede Globo fez uma maratona especial de programação, mas desta vez de oito horas de duração, em comemoração aos 15 anos do grupo Os Trapalhões. A festa de debutante não bastava para o quarteto composto por Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias, eles resolveram lançar uma campanha celebrando o "Ano Internacional do Deficiente Físico" instituído pela ONU, estimulando o público a fazer doações de córneas. No entretenimento, teve uma apresentação de circo em céu aberto, jogo de basquete para cadeirantes com o ator Tony Ramos, futebol de salão pra lá de nonsense com Os Trapalhões e o quarteto fazendo aparições especiais nas edições especiais dos principais programas Globais, além de um show de calouros com o elenco Global e até uma gincana com os atores de Baila Comigo enfrentando os de O Amor é Nosso (justamente a novela perdida). Só que uma surpresa foi guardada para o final: Renato Aragão recebeu uma linda homenagem de ninguém menos que J. Silvestre, que veio dos Estados Unidos especialmente convidado para fazer um Esta é a Sua Vida com o eterno Trapalhão.
Em 18 de setembro de 1983, no 33º aniversário da televisão brasileira, a Rede Globo indiretamente "comemorou" a data com uma nova maratona beneficente com 12 horas de duração: Nordeste Urgente. A campanha foi motivada devida a repercussão (e a comoção) que causou uma série de reportagens do Jornal Nacional sobre a seca no Nordeste brasileiro, deixando milhares de famílias sem ter o que comer e o que beber. Para a programação especial, foi mobilizado cerca de 300 artistas (elenco de atores, jornalistas e cantores de música popular) estimulando o público no socorro às vítimas da seca depositando suas doações em mais de 540 postos de arrecadação em sete capitais brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Recife e Salvador). O slogan da campanha era "O Brasil em Busca de Soluções" e teve de tudo: missa especial, maratona com os atores Globais, um debate sobre a seca no nordeste, show especial alternado entre Rio e São Paulo, até o Chacrinha fez questão de comandar uma edição especial do seu Cassino ao vivo do Ginásio Caio Martins em Niterói (cuja renda foi revertida para a campanha). Duas gincanas envolvendo artistas e personalidades foram ao ar especialmente naquele dia: Sete Homens de Ouro comandado por Marília Gabriela e Guerra dos Sexos com o "garoto" Osmar Santos. Os humorísticos dominicais tiveram edições especiais e contando com presença de convidados especiais. O comando foi do Trapalhão Renato Aragão e o curioso é que ele estava separado dos colegas Dedé, Mussum e Zacarias (os três faziam esquetes no A Festa é Nossa). Mesmo assim, a campanha em prol dos nordestinos foi um sucesso e rendeu até prêmio concedido pela Associação Brasileira de Propaganda.
Didi, Dedé, Mussum e Zacarias fizeram as pazes no início de 1984, voltando assim a atuarem juntos, e em 28 de dezembro de 1986, no último domingo daquele ano (o ano em que eu nasci), comandaram ao vivo do saudoso Teatro Fênix, no Rio, uma nova campanha lançada pela Globo como parte das comemorações dos 20 anos do grupo Os Trapalhões e que até hoje está no ar: Criança Esperança. Na sua primeira edição, foi levado ao ar uma programação especial de nove horas e a maratona tinha como pano de fundo a Campanha do Menor Carente, instituída pelo presidente da época José Sarney, cuja carta à respeito do assunto foi lida na abertura do evento. A programação especial foi dividida em 28 blocos e em todas elas teve mini-documentários sobre experiências de apoio às crianças carentes, menores de rua e os direitos da criança, além do balanço das doações, feitas por telefone e depósitos bancários. Programas Globais de sucesso (Xou da Xuxa, Chico Anysio Show, Cassino do Chacrinha, Vídeo Show e Viva o Gordo) tiveram edições especiais naquele dia, assim como o Globo Repórter, que apresentou um documentário sobre a história d'Os Trapalhões. A campanha teve continuidade e recebeu prêmios de UNESCO, UNICEF e até da Austrália.
Na sexta edição do Criança Esperança, o grupo Os Trapalhões comemorou 25 anos, embora desfalcada com o falecimento de Mauro "Zacarias" Gonçalves. Mesmo assim, uma nova programação especial foi ao ar entre 27 e 28 de julho de 1991 e Renato Aragão, Dedé Santana e Mussum apareceu em tudo quanto era programa da Globo: numa matéria especial do Jornal Nacional (que deu pontapé inicial à campanha) sobre as bodas de prata do agora trio, numa aparição na novela das oito O Dono do Mundo na inauguração do restaurante do personagem Altair (Paulo Goulart), numa paródia da abertura da novela onde Aragão imita o ídolo Charles Chaplin brincando com o globo terrestre (exibido exclusivamente naquela noite de sábado), comandando uma aula especial da Escolinha do Professor Raimundo onde os atores Globais substituíram os famosos alunos, em clipes musicais exibidos nos programas matinais de domingo, participaram da Santa Missa e dos quadros do Domingão do Faustão e apresentaram duas edições especiais do programa Os Trapalhões onde parodiaram toda a programação Global (de Xou da Xuxa à Doris Para Maiores) e contou com a participação de convidados especiais. Não satisfeitos com isso, o trio fez plantão durante toda a madrugada direto do Teatro Fênix estimulando o público a fazer suas doações em sete inserções durante a programação especial que foi brevemente interrompida com um programa educativo e duas transmissões esportivas: uma luta de boxe e o Grande Prêmio da Alemanha de Fórmula 1 (onde os três dirigiam carros quebrados antes da prova e depois lamentaram o fato do piloto Ayrton Senna não ter ganho a corrida, vencida por Nigel Mansell). Com tantas atrações, porém, uma cena foi inesquecível e eternizada: Renato Aragão beijando a mão do Cristo Redentor no Rio de Janeiro.
Em 1998, uma nova e inédita campanha foi lançada na TV brasileira, desta vez com o intermédio do SBT: o Teleton. O evento promove ajuda à AACD, Associação de Assistência à Criança Deficiente, para a construção e manutenção de hospitais e centros de reabilitação aos deficientes físicos. A instituição foi fundada em 1950 idealizada no sonho de construir um centro de reabilitação de qualidade como no exterior. Isso só foi possível em 1963 com a inauguração do hospital que funciona até hoje no Ibirapuera e que mais seria chamada de Hospital Abreu Sodré (nome do ex-governador de São Paulo que apoiara a causa do deficiente). Nos anos 90, seus representantes tomaram conhecimento de uma bem-sucedida campanha originada nos Estados Unidos e criada por ninguém menos que um dos maiores comediante do cinema, Jerry Lewis, que rodou 55 filmes. Ele tinha um filho que portava distrofia muscular e criou uma campanha estimulando o público doar quantias para a pesquisa da cura da tal doença e também para o tratamento dos deficientes físicos, o "Telethon" (termo vem da expressão em inglês "Television Marathon"). A repercussão mundial foi enorme e em 1978 o Chile implantou o formato de sucesso da campanha e mobilizando todos os artistas, personalidades, população e emissoras de rádio e televisão locais em prol dos deficientes chilenos, ao ponto de criar a ORITEL, Organização Internacional dos Teletons, que é uma das maiores organizações de solidariedade do mundo, reunindo cerca de 20 países que realizam suas maratonas beneficentes. Foi em 1997 que o Brasil aderiu a "novidade" Teleton, graças ao intermédio da apresentadora Hebe Camargo, colaboradora de longa data da AACD, que convenceu seu "Patrão" Silvio Santos (padrinho moral do Teleton, por mais que ele negue tal condição) a se reunir com a diretoria da instituição e acertar a realização da primeira edição da campanha através do SBT, realizada nos dias 16 e 17 de maio, com 27 horas ininterruptas de programação de auditório que mistura entretenimento, diversão e conscientização e a participação de mais de 200 artistas, sem contar o cast SBTista que se revezava durante toda a programação especial apresentando matérias jornalísticas enfatizando o trabalho da AACD, a prestação de contas com a população e, principalmente, as emocionantes "histórias de vida" de portadores de deficiência física. A meta inicial era arrecadar 8 milhões de reais para a reforma do centro de reabilitação da AACD na Moóca, zona leste de São Paulo, só que o projeto superou as expectativas dos organizadores e apoiadores e o programa conseguiu quase o dobro do que pretendia: 14,8 milhões de reais. E que além de garantir a ampliação da unidade da Moóca, possibilitou a construção do centro de reabilitação da AACD no Recife, Pernambuco. Foi por causa desta maratona de solidariedade, devido a 1 milhão de ligações por ano que o programa recebeu de todo o país, que a AACD realiza diariamente cerca de 10 mil atendimentos em todas as unidades espalhadas pelo Brasil afora.
Entre os anos 90 e 2000 surgiu outra campanha que quase ninguém conhece e promove ajuda ao tratamento do câncer infantil, ou especificamente a manutenção do Hospital do Câncer de Barretos: Direito de Viver. O evento perambulou por diversas emissoras como Band, Rede Vida e Rede TV!. Além das doações telefônicas, encontrou uma forma original de captar fundos para a campanha: um CD onde os artistas do momento regravam grandes sucessos. Outra campanha, mais conhecida, que também ajuda as crianças com câncer é o Mc Dia Feliz que surgiu 1988 pelo Mc Donald's tendo como primeira garota-propaganda a apresentadora Angélica, onde toda o dinheiro arrecadado com a venda do Big Mac todo último sábado do mês de agosto é revertido a hospitais que tratam do câncer infantil. A iniciativa levou a maior cadeia de lanchonetes do mundo a criar no Brasil a Fundação Ronald McDonald's que promove tal ajuda. Mas é uma pena que nenhum canal de televisão abriu espaço decente à campanha para que os artistas e cantores de sucesso participassem daquilo o que eu poderia chamar de "Mc Show Feliz", depois da novela das nove da Globo, onde seria anunciado quanto foi arrecadado com a venda do Big Mac e como foi o dia da campanha. Isso não deixa de ser uma sugestão, os canais de televisão formarem uma cadeia para a transmissão desse show de encerramento do Mc Dia Feliz.
Minha conclusão é a seguinte: as campanhas de solidariedade na TV brasileira são necessárias, porém se acomodaram com o passar dos anos. Massageando o ego de seus padrinhos e fazendo suas vontades, sobrepondo a verdadeira e humanitária causa em prol de crianças carentes, deficientes físicos e portadores de câncer. Porque o Criança Esperança continua mantendo o velho formato do megashow no Ginásio do Ibirapuera? Porque o Teleton reluta em manter-se nas batidas 27 horas seguidas de programação por mais que a meta de arrecadação aumente a cada ano, tornando insuficiente seu tempo de duração? Porque o Direito de Viver e o Mc Dia Feliz não são decentemente divulgados pela televisão, por mais que se restrinjam a uma simplória inserção comercial de 30 segundos? Eu proponho que cada campanha seja divulgada durante um mês por suas respectivas emissoras e após este período promova uma programação especial toda ela dedicada à campanha (com breves interrupções para novelas, telejornais e alguma transmissão esportiva) com uma maratona de 50 horas que seja, iniciando na sexta lá pelas 22h30 e terminando na madrugada de domingo pra segunda lá pela meia-noite e meia (para que as 50 horas sejam cumpridas). E outras: as campanhas não fiquem só na contribuição telefônica e depósitos bancários e sim encontrem outras formas e muito mais formas para a captação de donativos com a venda de cartões de natal, almoços beneficentes, produtos temáticos, shows beneficentes, eventos esportivos idem, leilões pela internet, entre outras maneiras para que essas campanhas saiam da incômoda e irritante zona de conforto que as assombram. Apesar de tudo, dos prós e contras, a lição de moral que aprendemos nessas campanhas é uma só: Os pequenos atos de bondade, gestos amorosos e boas ações são forças necessárias que trazem a Luz Divina para dentro de nossos semelhantes, que necessitam muito mais do que temos e precisemos no dia-a-dia. É um tipo de gesto que não só simplesmente salva o próximo, mas que perdoa nossos inimigos. Ilumine seu mundo com um ato de bondade!

sábado, 6 de agosto de 2016

HISTÓRIA: A TV Brasileira nos Jogos Olímpicos


Sinceramente, eu não estou muito animado para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Mesmo contando com a transmissão de três emissoras abertas (Bandeirantes, Globo e Record) e quatro pagas (SporTV, ESPN Brasil, BandSports e Fox Sports), só vou acompanhar o torneio de futebol porque é organizado pela FIFA e também porque é a segunda chance do nosso futebol masculino conquistar o que perdeu em 2014. E depois do péssimo comportamento da torcida carioca (xenófoba, ufanista arrogante e racista, com todo o respeito) no Pan de 2007, ainda mais agora com as redes sociais correndo soltas por aí, temo por algo pior do que ocorreu em Munique-72. Não quero ver os Jogos com sentimento de vergonha e constrangimento pelo meu país. Você já teve a curiosidade de saber a história das transmissões da TV brasileira em Olimpíadas? Então, às suas marcas e foi dada a partida!

Anos 60
As transmissões via-satélite eram uma realidade no Hemisfério Norte, mas no Hemisfério Sul, as imagens do exterior chegavam com alguns dias de atraso. No Brasil, não foi diferente, em 1964 foi a primeira vez que a TV brasileira pode exibir imagens dos Jogos Olímpicos realizados em Tóquio, no Japão.  As TVs Tupi e Record de São Paulo tornam-se a primeira emissora brasileira a mostrar em primeira mão imagens olímpicas aos lares brasileiros. Enquanto que a Tupi utilizava o material gerado pela United Press International (UPI) e apresentado às suas Emissoras Associadas, a Record, integrante das Emissoras Unidas, enviou três cronistas (Ernesto de Oliveira, Paulo Planet Buarque e Darcy Reis) e de lá cobriam os principais eventos do dia olímpico na "Terra do Sol Nascente" enviando vídeo-tapes que iam pro ar com exclusividade no dia seguinte, sempre no horário noturno. Em 1968, a TV Tupi teria adquirido os vídeo-tapes de algumas provas realizadas na Cidade do México, então sede da Olimpíada de então, a primeira a ser transmitida em cores e com imagens geradas pela rede norte-americana NBC. Segundo um depoimento, o saudoso locutor esportivo Walter Abrahão teria apresentado vários desses VT dentre os quais a acirrada disputa do salto triplo entre o brasileiro Nelson Prudêncio, o italiano Giuseppe Gentile e o russo Victor Saneiev.

1972 - Munique
Com a chegada das transmissões via-satélite na parte sul do Globo Terrestre, o Brasil enfim se plugou com o resto do mundo para acompanhar ao vivo as imagens dos Jogos Olímpicos. A Rede Globo adquiriu diretamente da rede alemã-ocidental WDR os direitos de transmissão do evento e mostrou pela primeira vez aos brasileiros e com exclusividade as Cerimônias de Abertura e Encerramento na íntegra e algumas provas de futebol, basquete, natação e atletismo, sem contar três boletins diários dentro dos principais telejornais e um programa de uma hora de duração com um resumo dos acontecimentos do dia. Mas com um porém, as imagens já eram geradas em cores, mas as limitações técnicas fizeram os telespectadores brasileiros assistirem as competições em preto-e-branco. A Globo enviou uma pequena equipe de oito pessoas divididas em dois grupos: um grupo ficou em Munique (o coordenador geral Luís Carlos Sá, o cinegrafista Ricardo Strauss e os locutores Geraldo José de Almeida, Ciro José e um jovem chamado Luciano do Valle) para as transmissões in loco e outro ficou em Madri, sede da extinta Organização de Rádio e Televisão da Olimpíada, de onde era gerado o resumo com as imagens mais importantes do "Dia Olímpico". O grupo que ficou em Madri tinha o locutor Léo Batista, a produtora Myriam de Lamarie e o diretor de esportes da Globo Júlio de Lamarie, que um ano mais tarde foi vítima fatal de um terrível acidente aéreo no Aeroporto de Orly, na França, e era admirado pelo então chefão Global José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, pela sua excelente cultura esportiva.

1976 - Montreal
Com a aquisição dos direitos de venda para toda a América Latina pela OTI (Organização das Telecomunicações Ibero-Americanas), uma cláusula foi criada com suma importância: só podia transmitir a Copa do Mundo de 1978 quem exibir pelo menos 10 minutos diários de imagens das Olimpíadas de 1976. Obrigadas a obedecerem tal norma, as emissoras brasileiras de TV enfim resolveram fazer uma cobertura olímpica "de verdade" e a primeira transmitida em cores para o nosso país. Cinco emissoras se interessaram pelo evento: Globo, Tupi, Cultura, Record e Bandeirantes, mas três delas apostaram na transmissão de modalidades conhecidas do grande público brasileiro: futebol, basquete, vôlei, natação, atletismo, ginástica e boxe, Globo, Tupi e Cultura, que desembolsaram cada uma delas cerca de 53 mil dólares para a exibição do evento (adquirindo assim os direitos de transmissão através da Organização de Rádio e Televisão da Olimpíada, tendo assim condições de mostrar as imagens geradas pela redes norte-americana ABC e da canadense CTV), via satélite em linha aberta com Montreal. A TV Tupi em sua única cobertura olímpica teve quatro horas diárias de transmissão lideradas por Walter Abrahão, a TV Cultura enviou apenas três locutores à Montreal (Orlando Duarte, Luiz Noriega e Carlos Eduardo Leite) e a Rede Globo se diferenciou das outras: enviou ao Canadá uma equipe de 11 pessoas (dentre os quais os locutores Léo Batista, Ciro José e Luciano do Valle), contou com cinco horas diárias de transmissão e levou ao ar dois boletins diários de 15 minutos cada um à tarde e à noite. Enquanto isso, as TVs Bandeirantes e Record (esta liderando a Rede de Emissoras Independentes) tinham que driblar a precariedade técnica, a falta de organização e a inexperiência, desembolsaram cerca de 18 mil dólares para a exibição obrigatória e noturna dos 10 minutos diários de material de satélite com o boletim oficial da OTI sobre os últimos resultados olímpicos sem ter à disposição suporte técnico necessário a profissionais acostumados em cobrir apenas futebol. Foi as Olimpíadas de Montreal o último trabalho do locutor Geraldo José de Almeida, que morreria duas semanas depois da Cerimônia de Encerramento dos Jogos, vítima de câncer na vesícula.

1980 - Moscou
O fim da TV Tupi e o boicote dos Estados Unidos desinteressaram as emissoras brasileiras em transmitir as Olimpíadas de Moscou. Apenas duas redes se habilitaram em transmitir as competições e dividirem o sinal via-satélite e os direitos de transmissão que custaram 100 milhões de cruzeiros na época: Rede Globo e Rede Educativa, esta liderada pela TV Cultura de São Paulo. A Globo enviou em terras soviéticas 22 pessoas para a cobertura olímpica, dentre os quais os locutores Luciano do Valle, Fernando Vanucci e Ciro José, o apresentador Léo Batista e os repórteres J. Hawilla, Mônica Leitão, Marcelo Matte e Roberto Feith. Já a Rede Educativa, ou melhor, a TV Cultura fez parceria com a Rádio Jovem Pan e transmitiu as principais provas simultaneamente na TV e no rádio com a narração de Luiz Noriega e Orlando Duarte. Estava formada a Rede Olímpica de Rádio e Televisão com a TV Educativa do Rio de Janeiro (que retransmitia as imagens para as outras emissoras educativas pelo Brasil), TV Iguaçu de Curitiba, TV Tibagi de Apucarana, TV Alterosa de Belo Horizonte, TV Uberaba, TV Cultura de Florianópolis e TV Guaíba de Porto Alegre. No contraponto disso tudo, a Rede Bandeirantes, que não detinha os direitos de transmissão, resolveu enviar um correspondente para Moscou para mandar as notícias olímpicas por telefone em todos os telejornais, ele era ninguém menos que o jovem repórter Álvaro José.

1984 - Los Angeles
A cobertura dos Jogos Olímpicos reuniu na época um número recorde de emissoras abertas brasileiras presentes no evento: Globo, Bandeirantes, Manchete, Record e SBT, totalizando 178 profissionais da TV brasileira e cada uma delas pagando 175 mil dólares pelos direitos de transmissão. Como a Globo tinha à sua disposição um canal exclusivo de satélite, a EMBRATEL, para atender a demanda das outras redes e responsável pela transmissão para o Brasil, promoveu um consórcio de linha de transmissão de áudio e vídeo entre Manchete, Bandeirantes e Record-SBT: das 24 horas disponíveis de satélite, 14 delas foram obrigatoriamente de uso coletivo enquanto que as outras 10 tiveram que ser divididas entre as emissoras: enquanto que Bandeirantes e Manchete detinham 4 horas exclusivas cada uma, o consórcio Record-SBT tinha apenas 2 horas exclusivas. A imprensa da época considerou a transmissão da Olimpíada de Los Angeles a melhor já executada em todos os tempos.

Record-SBT
Como o SBT estava começando a se enveredar de verdade em grandes coberturas esportivas, teve que retransmitir para suas 20 emissoras boa parte do sinal emitido pela TV Record de São Paulo e Rio de Janeiro pois na época Silvio Santos ainda era dono da metade das ações da emissora da família Carvalho. No eixo Rio-São Paulo, o SBT manteve sua programação normal, mas mesmo assim montou uma equipe de apoio de 12 pessoas nos estúdios da Vila Guilherme para produzir o informativo A Mulher nas Olimpíadas comandado por Claudete Troiano, Jurema Iara, Leilah Silveira e Chrystinah Rocha, focalizando a participação de atletas do sexo feminino em sete eventos específicos. A Record, por sua vez, enviou 20 pessoas à Los Angeles dentre os quais Silvio Luiz, Rui Viotti, Ciro José, Flávio Prado, Eli Coimbra e J. Hawilla, e contava com uma equipe de apoio de 20 pessoas nos velhos estúdios do bairro do Aeroporto, no qual destaco Fernando Solera e Ronnie Hien, que comandava o boletim Placar das Olimpíadas.

Rede Globo
Contando com um canal exclusivo de satélite ligado 15 horas por dia que custou 900 mil dólares, foi obviamente a que mais investiu na cobertura: enviou equipe de 92 pessoas, nove equipes de reportagem, seis horas diárias de transmissão, seis câmeras exclusivas, oito ilhas de edição, um aparelho de gravação computadorizada, um estúdio de 160 m² com uma central de edição e produção funcionando 24 horas por dia e desenvolve um programa de computador que possibilitava a exibição de estatísticas e aproveitamento geral dos atletas de diversas modalidades. A Globo estava tentando abolir a imagem do comentarista nas transmissões esportivas e as transmissões das provas contavam com a narração de Osmar Santos, Galvão Bueno e Luiz Alfredo, as reportagens eram de Francisco José, Glória Maria, Isabela Scalabrini, Lucas Mendes, Luís Fernando Lima, Reginaldo Leme e Ricardo Pereira e o apresentador Léo Batista era quem dava as notícias olímpicas direto de Los Angeles seja nos telejornais ou no Boletim Olímpico.

Rede Bandeirantes
Graças ao incentivo da Luqui/Promoação e fazer da emissora do Morumbi o "canal do esporte", realiza pela primeira vez uma transmissão olímpica de verdade. Envia equipe de 22 pessoas e realiza sete horas diárias de transmissão, sem contar 22 flashes diários de um minuto cada um inserido a cada 30 minutos de programação normal. Os narradores eram Luciano do Valle, Osmar de Oliveira, Álvaro José e Jota Júnior, os comentaristas eram Edvar Simões (basquete), Paulo Russo (vôlei) e Júlio Mazzei (futebol e atletismo) e os repórteres eram Elia Júnior, Eduardo Savóia, Roberto Cabrini e Gilson Ribeiro. Na equipe de apoio, no Brasil, Juarez Soares ancorava as transmissões e dava seus pitacos nas transmissões do torneio de futebol.

Rede Manchete
A então caçula das emissoras resolveu debutar nas transmissões esportivas e partiu para a sua primeira grande cobertura. Realizou uma verdadeira maratona com 18 horas diárias de transmissões ao vivo, totalizando 270 horas de imagens olímpicas, enviou uma considerável equipe de 56 pessoas, investiu 1,6 milhão de dólares em equipamentos técnicos, alugou um estúdio de 45 m² no IBC de Los Angeles para a transmissão do boletim Viva a Olimpíada e dos programas especiais Olimpíada em Resumo, Manchete Olímpica, Olimpíada em Manchete e Destaques Olímpicos, a ponto de entrar no ar bem mais cedo (07h30) do que o habitual na época (12h00). Um dos locutores das provas era Paulo Stein e o time de comentaristas contava com Carlos Alberto Torres (futebol), Antônio Carlos Moreno (vôlei), Adhemar Ferreira da Silva (atletismo), Guilherme de Lamarie (natação) e Vlamir Marques (basquete).

1988 - Seul
A OTI, Organização das Telecomunicações Ibero-Americanas, vendeu os direitos de transmissão das Olimpíadas de Seul para cinco emissoras brasileiras de TV, dentre as quais apenas uma não pôde arcar com os custos, a TV Record, que estava numa situação financeira bastante delicada. As outras quatro, Bandeirantes, Globo, Manchete e SBT, pagaram cada uma um valor mais acentuado se comparado aos das edições anteriores: 2 milhões de dólares, isso porque o nível técnico das provas aumentaram, Estados Unidos e União Soviética voltaram a se enfrentar 12 anos depois, não houve boicote e a sede dos Jogos aconteceu na Ásia (em pleno auge dos chamados "Tigres Asiáticos"), o que provocava um fuso horário de 12 horas a mais em relação ao Brasil. Uma vez adquirido o direito de transmitir a Olimpíada, as quatro rede de então tiveram que acertar um acordo de utilização de sinal de satélite, no qual eram obrigadas a trabalharem com a mesma imagem que era gerada pela rede coreana KBS, isso durante 12 horas diárias, das 22h30 às 10h30. Além disso, as emissoras tiveram que tomar cuidado para não exceder tanto nos investimentos durante a cobertura olímpica. Tudo corria bem até o dia 29 de setembro (três dias antes do encerramento das Olimpíadas) quando começou o Horário Eleitoral Gratuito em virtude das eleições municipais de 88 e por causa de tal imposição do TRE, vários eventos foram impedidos de serem mostrados ao vivo e na íntegra na faixa das 08h00 às 08h45 como a final do vôlei feminino entre União Soviética e Peru e, pior, a final do futebol entre Brasil e União Soviética. Como o jogo terminou empatado no tempo normal, a prorrogação não pôde ser transmitida, apenas em VT completo.

Rede Bandeirantes
Foi a que mais investiu na cobertura das Olimpíadas de Seul. Colhendo os louros de ter se tornado o "canal do esporte", desembolsou 8 milhões de dólares para garantir ao telespectador 13 horas diárias de transmissão totalizando 250 horas, além de enviar uma equipe de 45 pessoas e alugar um estúdio de 140 m² no IBC. Não satisfeita com isso ainda adquiriu seis câmeras de reportagem, quatro ilhas de edição, uma mesa de corte, duas unidades de transmissão externa e sete novos veículos de reportagem. A equipe que foi cobrir os Jogos direto do local contou com os apresentadores Blota Jr. e Elys Marina, os locutores Luciano do Valle, Silvio Luiz, Jota Júnior, Álvaro José e Osmar de Oliveira, os comentaristas Paulo Russo (vôlei), Edvar Simões (basquete), Newton Campos (boxe) e Roberto Rivelino (futebol) e os repórteres Elia Júnior, Eli Coimbra, Gilson Ribeiro e Roberto Cabrini. Na equipe de apoio, nos estúdios do Morumbi, se revezavam no comando do Boletim de Seul Flávio Prado, Simone Mello, Juarez Soares, Luís Andreoli, Marcelo Bianconi, Alexandre Santos, Marco Antonio Siqueira de Mattos e Maria do Carmo Fúlfaro.

Rede Globo
Mesmo investindo metade do valor da Bandeirantes, 4 milhões de dólares, mandou a maior delegação da TV brasileira para Seul: 66 pessoas. Devido ao fuso horário, teve que dosar a maratona esportiva durante a madrugada com a promessa de 135 minutos diários de transmissões ao vivo, focalizando a participação brasileira nos principais esportes coletivos (vôlei, basquete e futebol) e flashes com as provas finais das modalidades individuais. Em Seul, a equipe contou com os locutores Galvão Bueno, Luiz Alfredo e Ciro José, os comentaristas Hélio Rubens (basquete) e Antônio Carlos Moreno (vôlei) e os repórteres Marcos Uchôa, Luís Fernando Lima, Francisco José, Isabela Scalabrini, Carlos Dorneles e Neide Duarte. No Brasil, colocou seis apresentadores se revezando no comando do Globo Esporte Especial, uma resenha sobre o dia olímpico: Valéria Monteiro, Sérgio Éwerton, Leilane Neubarth, Léo Batista, Lina Menezes, Fernando Vanucci. Isso sem contar a participação do ex-goleiro Raul Plassmann, que comentou dos estúdios do Jardim Botânico as partidas de futebol.

Rede Manchete
Disposta a competir com a Bandeirantes em pé de igualdade, propôs 400 horas de transmissão olímpica, sendo 10 horas diárias ao vivo. Para isso, investiu 2,5 milhões de dólares e mandou 40 pessoas para Seul onde ficavam quase direto no escritório reservado para a emissora no IBC, talvez reduzindo gastos para uma reserva nas cabines de transmissão nos locais das provas. Durante o evento, a emissora decide relançar o "Arakém, o Showman" para as vinhetas alusivas as modalidades exibidas durante os intervalos. Enquanto que no Brasil, vários apresentadores como Mylena Ciribelli, Leila Richers e Ronaldo Rosas se revezavam no comando do Boletim da Olimpíada e O Melhor de Seul, na Coréia do Sul, a equipe de transmissão contava com os apresentadores Márcio Guedes e Alberto Léo, os locutores Osmar Santos, Paulo Stein e Halmalo Silva, os comentaristas Vlamir Marques (basquete), Adhemar Ferreira da Silva (atletismo), Ênio Figueiredo (vôlei), Ricardo Prado (natação) e João Saldanha (futebol) e os repórteres Antônio Stockler, Paulo César Andrade, Eurico Tavares e Florestan Fernandes Jr.

SBT
Foi a mais modesta de todas, tão modesta que só enviou uma equipe de reportagem de apenas seis pessoas à Seul, lideradas pelos repórteres Luiz Ceará e Kitty Baliero, que fizeram reportagens com os atletas brasileiros. Para não ficar de fora da Copa do Mundo de 1990 e cumprir a contrato assinado junto à OTI, sua cobertura foi feita em parceria com a produtora JR Promoções e investiu apenas 1 milhão de dólares para montar uma equipe de esportes de 20 pessoas que ficaram no Brasil recebendo material do satélite para produzir seis boletins diários de 5 minutos de duração exibidos durante a programação normal à tarde e mais um programa diário com cerca de duas horas de duração exibido de madrugada. Sua transmissão da Olimpíada foi esporádica e se resumiu com as provas de vôlei, basquete e futebol. O comando foi dos apresentadores Suzana Rangel e Ivo Morganti, que narrou algumas provas, e contou com os comentários do jornalista Sérgio Cunha.

1992 - Barcelona
Com as transmissões das provas cada vez mais evoluídas e contando com melhores tecnologias, as emissoras brasileiras foram recompensadas por um verdadeiro show de imagens esportivas direto da Espanha. Quanto ao sinal via-satélite, a Rede Globo contou com o aluguel de um satélite exclusivo ligado 24 horas por dia para permitir a inclusão de flashes ao vivo durante a programação normal, o que é de praxe se tratando de Globo, enquanto que as demais redes tiveram que dividir o mesmo canal de satélite para diluir os custos já acentuados. Outro ponto positivo foi que está se tornou a primeira Olimpíada a ser transmitida em TV por assinatura no Brasil em toda a história, através do canal pago Globosat/Top Sport, atualmente denominado SporTV, que anunciou a cobertura de 20 horas diárias ao vivo de Olimpíada e a transmissão de 257 disputas de medalha no programa olímpico, com ou sem o Brasil! Só pra registrar, os narradores pioneiros dessa primeira "cobertura paga olímpica" foram Luís Carlos Júnior, Maurício Torres e Sérgio Maurício.

Rede Bandeirantes
Mandou para Barcelona a maior delegação da TV brasileira, além de produzir a maior cobertura do evento: 65 profissionais e cerca de 14 horas diárias de transmissão. Os ancoras das transmissões ficaram à cargo da dupla Elia Júnior e Simone Mello, a narração das provas foi de Luciano do Valle, Silvio Luiz, Álvaro José e Marco Antônio Siqueira de Mattos, o time de comentaristas permaneceu o mesmo com Juarez Soares (futebol), Júlio Mazzei (atletismo), Edvar Simões (basquete) e Paulo Russo (vôlei) e as reportagens de Eli Coimbra, Gilson Ribeiro, Olivério Jr. e José Luiz Datena, que criou o "repórter invisível" durante o evento. Na parte tecnológica, a emissora transmitiu as imagens mais perfeitas de Barcelona devido a introdução do novíssimo sistema de gravação Betacam, melhorando tecnicamente a imagem em 50%. Isso foi fruto de um investimento de 15 milhões de dólares na compra de equipamentos da marca Sony com câmeras Cam-Corder, ilhas de edição e pós-produção em 2 e 3 dimensões com efeitos especiais e áudio digital. Sucesso na Copa de 90, foi relançado o Apito Final, onde toda a equipe comentava o dia olímpico ao som do violão de Toquinho, que analisava o evento do ponto de vista do torcedor, e a presença do maior jornalista do Brasil de todos os tempos e poeta nas horas vagas, Armando Nogueira.

Rede Globo
Desfalcada de Galvão Bueno, que estava se aventurando na Rede OM (hoje CNT), a emissora mesmo assim deu de si para fazer aquele "show de transmissão", mesmo preservando sua programação campeã de audiência. Manda 60 profissionais e utiliza um software digital, desenvolvido na Bélgica, que permite a câmera lenta instantânea ao vivo, muito utilizada nos jogos de vôlei e mais tarde nas transmissões de futebol. Os apresentadores direto de Barcelona foram Fátima Bernardes, Fernando Vanucci e Valéria Monteiro. A narração ficou à cargo de Luiz Alfredo, Ciro José e Cléber Machado, os comentários foram de Orlando Duarte, Juca Kfouri (Jornal da Globo), Bebeto de Freitas (vôlei) e Ari Vidal (basquete) e as reportagens foram de Marcos Uchôa, Luís Fernando Lima, Roberto Cabrini, Pedro Bial, Maria Cristina Poli, Ernesto Paglia e Geraldo Canali. Na equipe de apoio do Brasil, Oliveira Andrade narrou algumas provas, mas quando havia uma disputa de natação, a Globo acionava um comentarista bem peculiar: Rômulo Arantes, o ex-nadador que esteve presente nas Olimpíadas de Moscou e que estava integrando o elenco Global fazendo o personagem Otávio na novela das sete Perigosas Peruas.

Rede Manchete
Seguindo ao estilo "feijão-com-arroz", cumpriu as expectativas de seu público fiel emitindo cerca de 10 horas de transmissões diárias. Sem grandes inovações técnicas, mandou 45 enviados especiais à Olimpíada, contou com a narração de Paulo Stein, Alberto Léo e Halmalo Silva e os comentários de Vlamir Marques (basquete), Adhemar Ferreira da Silva (atletismo), Ênio Figueiredo (vôlei) e Fernando Brochado (natação). Dois programas especiais foram criados durante a cobertura olímpica: Manhã Olímpica e Noite Olímpica. Só que durante a Cerimônia de Abertura, cometeu uma grande mancada: era sábado à tarde e transmitiu apenas 60 minutos ao vivo da festa de abertura, iniciada às 15 horas. Mas quando o relógio marcou 16 horas, a imagem de Barcelona foi interrompida pela imagem de São Carlos, interior paulista, para a transmissão do jogo entre Sãocarlense e Corinthians pelo Campeonato Paulista de Futebol com a narração do "garoto" Osmar Santos (graças a um erro de organização por parte da Federação Paulista de Futebol, poderiam ter colocado esse jogo à noite), que teve que ser rapidamente interrompido, durante o intervalo e no segundo tempo, para exibir ao vivo a entrada da delegação brasileira e o acendimento da pira olímpica. O VT completo do cerimonial pôde enfim ser exibido à noite.

SBT
Foi a que fez a cobertura mais compacta da TV brasileira. Mandou apenas 13 enviados especiais, concentrou-se nas transmissões de vôlei e basquete, nos flashes ao vivo das disputas de medalha no judô, natação e atletismo e produziu o programa Resumo das Olimpíadas exibido todo final de noite. A pequenina equipe em Barcelona contava com a apresentadora Mariana Godoy, o locutor Osmar de Oliveira e os repórteres Luiz Ceará e Hermano Henning. No Brasil, o narrador Carlos Valladares acompanhava os eventos paralelos, além da participação de convidados especiais que comentavam as provas como Cláudio Mortari, que falou sobre o basquete. Tudo isso sem contar o inesquecível mascote Amarelinho, que pela primeira vez torceu para o Brasil numa Olimpíada. Foi redesenhado pelos novos computadores gráficos pela emissora e ganhou uma família com pai, mãe, irmãozinho e até vovô, e apareciam a todo instante reagindo de acordo com o desempenho dos brasileiro durante as transmissões ao vivo: fazendo contas, rezando, tocando corneta, chorando, fazendo piruetas e colocando a mão no peito ao som do Hino Nacional Brasileiro.

1996 - Atlanta
A transmissão dos Jogos Olímpicos mobilizou 348 profissionais de sete emissoras (Globo, Bandeirantes, SBT, Manchete, Record, ESPN Brasil e SporTV) do Brasil, país no qual possuiu o maior número de estações de TV na Olimpíada. Cada uma delas pagou 2 milhões de dólares pelos direitos de transmissão e investiram mais de 10 milhões de dólares em equipamentos para a cobertura do evento. As imagens oficiais foram geradas pela rede norte-americana ABC e todas elas utilizaram dois canais de satélite, um com as imagens da participação do Brasil nas principais modalidades e outro com flashes simultâneos de até 20 eventos diferentes, com conexão Miami-Atlanta para as partidas da Seleção Olímpica de Futebol que recebeu tratamento especial durante os Jogos. No total, os telespectadores puderam acompanhar a 94 horas diárias de transmissão olímpica somando a média horária de cobertura olímpica de todas as emissoras.

Rede Globo
Foi a que menos dedicou seu tempo para as Olimpíadas com média de quatro horas diárias de transmissão, sempre destacando a atuação dos atletas brasileiros (de preferência disputando uma medalha) em flashes ao vivo emitidos durante a programação, apesar de mandar a maior delegação da TV brasileira com 120 enviados especiais. Os ancoras das transmissões e de blocos especiais nos seus tradicionais telejornais foram de Fátima Bernardes, Fernando Vanucci e Paulo Henrique Amorim. A narração direta das provas foram de Galvão Bueno, Cléber Machado, Oliveira Andrade e Maurício Torres. O time de comentaristas contavam com Isabel (vôlei feminino), Bebeto de Freitas (vôlei masculino), Marcel de Souza (basquete) e Paulo Roberto Falcão (futebol). As reportagens ficaram a cargo de Marcos Uchôa, César Augusto, Maurício Kubrusly, Ernesto Paglia, Denise Chahestian, Sandra Annenberg, Glória Maria, Tino Marcos e Mauro Naves. O único programa Globo todo dedicado aos Jogos de Atlanta foi o tradicional Boletim Olímpico.

Rede Bandeirantes
O então "canal do esporte" foi a que mais dedicou sua grade na Olimpíada: enviou 80 profissionais, produziu uma média de 17 horas de transmissões olímpicas, cobrindo inclusive eventos sem a presença do Brasil e dois canais exclusivos de satélite ligados 24 horas por dia, evitando assim quedas abruptas de sinal no Brasil. O âncora das transmissões foi o tarimbado Elia Junior, a narração das provas foi de Luciano do Valle, Álvaro José, Jota Júnior e Marco Antônio Siqueira de Mattos e a equipe de comentaristas praticamente inalterada seguindo aquela frase "Em time que está ganhando, não se mexe": Roberto Rivelino (futebol), Paulo Russo (vôlei), Edvar Simões (basquete), Newton Campos (boxe) e também de Armando Nogueira, que restringia suas aparições com suas crônicas poéticas no Apito Final, debatendo o desempenho brasileiro no dia olímpico.

SBT
Mobilizou 65 profissionais, emitiu uma média de cinco horas e meia de transmissões por dia (mesmo preservando seus programas fixos) e investiu de 2 milhões de dólares em cinco toneladas de novos equipamentos. Fez acordo operacional de 300 mil dólares com a ESPN Brasil na utilização do canal duplo de satélite. De lá produziu seis edições diárias do Boletim das Olimpíadas e o resumo do dia no Jornal das Olimpíadas e a equipe contou com os locutores Silvio Luiz, Osmar de Oliveira e Nivaldo Prieto, os comentaristas Juarez Soares e Orlando Duarte e os repórteres Luiz Ceará, Antônio Pétrin, Luiz Carlos Azenha, Hermano Henning e Arnaldo Duran.

Rede Record
Investiu 1,5 milhão de dólares na cobertura da Olimpíada, com aluguel de estúdio de 120  e compra de equipamentos digitais (sendo cinco câmeras para focalizar imagens exclusivas das provas), além de mandar 34 enviados especiais para uma maratona de nove horas diárias de transmissões esportivas, acompanhando logicamente todo o desempenho da delegação brasileira. A narração das provas ficaram a cargo de Luiz Alfredo, Carlos Valladares e Paulo Stein e os comentários foram de Silvio Lancelotti (o primeiro chef de cozinha da televisão brasileira), Mário Sérgio (futebol) e William Carvalho (vôlei), sem contar as reportagens de Eli Coimbra, Márcio Moron e José Luiz Datena. No encerramento do dia olímpico, era colocado no ar o programa Record Olímpica, com o resumo dos acontecimentos.

Rede Manchete
Mesmo sendo a mais econômica dentre as emissoras abertas brasileiras, fez questão de marcar presença na aclamada Olimpíada de Ouro: todos os seus 25 profissionais se mobilizaram durante os 16 dias de evento no acanhado escritório do IBC, com custos limitados todas as transmissões não foram in loco e sim em off, foi a única emissora brasileira que preferiu utilizar um só canal de satélite devido ao alto custo técnico e teve a missão de emitir 15 horas diárias de transmissão, mostrando de cinco a seis eventos ao vivo. Vários informativos foram produzidos: A Caminho de Atlanta, Deuses do Olímpo e Movimento Olímpico, sem contar o Jornal da Manchete, comandado pela já denominada "Madame Nuzman", mas conhecida como Márcia Peltier. A transmissão das provas ficaram a cargo dos locutores Alberto Léo, Carlos Borges e Halmalo Silva e dos comentaristas Carlos Alberto Torres (futebol), Vlamir Marques (basquete), Ênio Figueiredo (vôlei), Mônica Brochado (natação) e Adhemar Ferreira da Silva (atletismo).

Emissoras por Assinatura
Os canais SporTV e ESPN Brasil disputaram entre si a preferência do público assinante. O SporTV procurou fazer uma cobertura mais autônoma, sem a influência da Globo: investiu 2,5 milhões de dólares, enviou 13 profissionais à Atlanta e mandou ver em 24 horas diárias de transmissão olímpica com os programas Diário de Atlanta e Show da Olimpíada e preenchendo espaço com VTs de várias disputas e documentários alusivos às Olimpíadas. A narração direta contou com os pioneiros do "canal campeão" Luís Carlos Júnior e Sérgio Maurício e no time de comentaristas tinha os jornalistas Armando Nogueira e Matinas Suzuki Jr., além de Bernard Rajzman, que comentou os jogos de vôlei. Já a ESPN Brasil tentou ser mais "criativa": mandou equipe de 11 pessoas, contou com 23 horas e meia de transmissão diária (interrompidas com o tradicional Sportcenter) e apresentou 10 programas especiais dedicado ao evento como Jornal de Atlanta. Como grande parte da equipe estava na "retaguarda", ou seja, na equipe de apoio no Brasil, sua delegação foi basicamente composta por seus locutores transmitindo direto as provas de praticamente todas as modalidades: Milton Leite, Paulo "Amigão" Soares, Luís Roberto de Múcio e João Palomino.

2000 - Sydney
O fuso horário de 14 horas pode ter atrapalhado os planos das emissoras, mas não impediu que virassem a madrugada adentro com um digno espetáculo esportivo. Apenas quatro emissoras toparam o desafio olímpico (Globo, Bandeirantes, SporTV e ESPN Brasil) e juntas enviaram uma delegação de 366 profissionais brasileiros. Demonstrando uma fortalecida saúde financeira, a Globo desembolsou 45 milhões de dólares ao Comitê Olímpico Internacional para garantir sua presença em três Olimpíadas seguidas (começando pelos Jogos de Sydney) com direito a um acordo de revenda dos direitos de transmissão à Rede Bandeirantes para dividir à cobertura olímpica, ou seja, firmaram um contrato de "oligopólio olímpico" por oito anos.

Rede Globo
Contou com a maior infra-estrutura da TV brasileira para a cobertura olímpica: mandou 125 pessoas para se mobilizarem no invejável espaço de 800 m² no IBC com ampla redação de jornalismo, ilhas de edição e dois estúdios, um deles com mini-platéia. Alugou dois canais exclusivos de satélite para mandar nove horas diárias de transmissão. Levou 21 câmeras, quatro delas exclusivas nas competições de futebol, vôlei, natação e atletismo. A Jornada Olímpica foi ancorada por Ana Paula Padrão, Léo Batista, Glenda Koslowsky e Pedro Bial, a narração das provas direto da Austrália ficaram à cargo de Galvão Bueno, Luiz Roberto de Múcio e Maurício Torres, os comentários foram de Walter Casagrande Júnior (futebol) e Renan (vôlei) e as reportagens ficaram à cargo de Marcos Uchôa, Carlos Dorneles, Pedro Bassan, Mauro Tagliaferri, João Pedro Paes Leme, Renato Ribeiro, Eduardo Grillo e André Trigueiro. Quem roubou a cena foi Jô Soares, que fez questão de comandar seu Programa do Jô direto de Sydney com o seu sexteto à tiracolo, graças ao fuso. Muita gente culpou a Globo pelo fato do Brasil não ter ganho uma mísera medalha de ouro, tudo por causa da "pé-frieza" do canguru Zé do Pulo, mascote virtual criado especialmente para as transmissões e que invadia tudo quanto era programa (muito mais "torcedor" do que a narração de Galvão Bueno), e do insuportável tema musical da banda Pato Fu que dizia "Vamos lá, ver o Brasil brilhar! (Hei! Hei! Hei! Vamos lá!)".

Rede Bandeirantes
Mandou uma delegação até então recorde para a cobertura da Olimpíada, 110 pessoas, e manteve sua tradição esportiva com 10 horas diárias de transmissão, totalizando cerca de 200 horas ininterruptas durante a madrugada, enviou 10 câmeras, alugou estúdio de 400  e também contou com um canal duplo de satélite. Os blocos especiais dos telejornais ficaram a cargo de Fernando Vanucci, Sílvia Vinhas e Márcia Peltier, a narração direta das provas foi de Luciano do Valle, Álvaro José, Nivaldo Prieto e Eduardo Vaz, o time de comentaristas tinha o eclético Orlando Duarte e mais Hortência (basquete), José Roberto Guimarães (vôlei) e o então debutante Neto (futebol), que ainda não pensava meter o bedelho onde não era chamado (tipo João Saldanha), e as reportagens foram de Oswaldo Pascoal, Márcio de Castro, Adriana Bittar e Luciana Mariano. E ainda mandou ver na reprise das principais provas durante a tarde para aqueles que não madrugavam para ver as competições.

SBT
Estando rigorosamente em dia com os pagamentos de suas mensalidades do "carnê" da OTI (Organização das Telecomunicações Ibero-Americanas), a emissora tinha o direito de transmitir a Olimpíada (!) e a possibilidade de quebrar, nem que seja uma única vez, o "oligopólio olímpico" de oito anos firmado entre Band e Globo. Foi até uma boa consequência, mas dois motivos a impediram de fazer uma digna cobertura do evento: não tinha equipe esportiva e ainda por cima o subestimou alegando "dificuldade em conseguir publicidade em plena madrugada". O muquiranismo de Silvio Santos, que sempre fala mais alto nos bastidores da emissora, foi outra desculpa "SBTista" dada pelo então superintendente de programação Eduardo Lafound, explicando sobre o alto investimento e o custo inviável de montar uma equipe (nem mesmo de reportagem) e enviá-la à Sydney para as transmissões diretas. Mesmo assim, ficou na promessa de realizar uma transmissão diária que nunca aconteceu e teria o comando do então "free-lancer" Osmar de Oliveira e alguns convidados nos estúdios da Anhanguera. Sua cobertura se resumiu no bloco especial O Brasil nas Olimpíadas, exibido no fim de noite no telejornal SBT Notícias com Hermano Henning, trazendo um resumo dos acontecimentos dos atletas brasileiros e os resultados das provas. Mas não passou em branco, fez questão de transmitir ao vivo, conforme prometido, as Cerimônias de Abertura e Encerramentos dos Jogos.

Emissoras por Assinatura
Foi a primeira vez que as duas emissoras pagas segmentadas do esporte SporTV e ESPN Brasil utilizaram dois canais ao mesmo tempo para transmitir o evento por completo totalmente ao vivo, 24 horas por dia, só que a ESPN tinha vantagem em utilizar um terceiro canal, o "estrangeiro" que estava se nacionalizando, mas para exibir em VT os eventos que não puderam ser mostrados ao vivo. O SporTV mandou 80 pessoas e a ESPN enviou 51. O SporTV chegou a fazer acordo com a rede norte-americana NBC, detentora dos direitos exclusivos de transmissão olímpica nos Estados Unidos, para gerar imagens exclusivas e a ESPN montou até uma "clínica de sono" para que sua equipe ficasse em dia com o relógio biológico devido ao fuso. No IBC, o SporTV tinha estúdio de 240 m² e a ESPN tinha um espaço de 300 m². Para a narração das provas direto do local, o SporTV escalou Luís Carlos Júnior, Lucas Pereira e Sérgio Maurício e a ESPN contava com Milton Leite, Paulo Soares, João Palomino e Cledi de Oliveira. No time de comentaristas, o SporTV contava com Robson Caetano e Maurreen Maggi (atletismo), Magic Paula (basquete), Fernanda Venturini (vôlei), Júnior e Raul Plassmann (futebol); enquanto que a ESPN escalou Ana Moser (vôlei), Douglas Vieira (judô), Silvio Fiolo (natação) e Paulo Cézar Vaconcellos (futebol). Nos programas especiais, o SporTV tinha De Olho em Sydney em duas edições e a ESPN Brasil contava com Bom Dia Sydney e Boa Noite Sydney. No SporTV, as transmissões foram ancoradas por Daniela Monteiro e Susana Werner e na ESPN os apresentadores foram Luís Alberto Volpi e Soninha Francine.

2004 - Atenas
Como careço de informações sobre a transmissão das emissoras por assinatura das Olimpíadas seguintes, vou apenas focalizar as emissoras abertas, nas quais notei na época uma diferença gritante de cobertura e estrutura técnica de transmissão. Mesmo adotando uma postura torcedora e sentimentalista, a Globo chegou a fazer uma cobertura até um pouco melhor e bem mais organizada se comparada com a da Band, que só mostrou os Jogos para cumprir contrato porque sua equipe esportiva tinha sofrido um enorme desmanche e dava-nos a impressão de que o antes chamado "canal do esporte" tinha desaprendido a fazer cobertura esportiva, até porque a direção da emissora sofreu sensíveis mudanças e o foco principal era a linha de shows com programas de entretenimento e variedades.

Rede Globo
Manda uma equipe de 100 enviados especiais ocupando um estúdio de 470 m² no IBC. Na parte tecnológica, faz uso pioneiro de câmeras digitais XDCAM, onde a gravação é feita em alta resolução com discos ópticos, abolindo de vez o uso de fitas, gravadas em memória de computador agilizando o processo de edição entre a captura de imagens e a exibição do material finalizado pelas cinco ilhas de edição da Grécia e transferido para o Brasil via-satélite. A narração direta das provas esteve a cargo de Galvão Bueno e Maurício Torres. No time de comentaristas teve Tande (vôlei masculino), Leila (vôlei feminino), Robson Caetano (atletismo) e Ricardo Prado (natação). As reportagem foram de Tino Marcos, Pedro Bassan, Regis Röesing, Marcos Uchôa, João Pedro Paes Leme, Glenda Koslowsky, César Tralli, Graziela Azevedo e Glória Maria. Na equipe de apoio no Brasil, 50 pessoas se mobilizaram para a transmissão de algumas provas, que tiveram a narração de Cléber Machado e Luís Roberto de Múcio, que não embarcaram para a capital grega devido aos jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Rede Bandeirantes
Desfalcada de Luciano do Valle e de outros importantes nomes da imprensa esportiva, que estavam na Record, a cobertura olímpica ficou meio que "sem brilho". Sua equipe em Atenas contou com 60 profissionais no IBC (50 da Band aberta e 10 do canal pago BandSports, que fazia sua primeira Olimpíada) para uma cobertura conjunta que contou com 15 horas ininterruptas de transmissão, o que provocou alterações de praxe na sua programação, já totalmente dominada por programas da linha de shows. Mesmo assim, enfrentou o empecilho do Horário Eleitoral Gratuito das eleições municipais de 2004 duas vezes, sendo assim obrigada a interromper as transmissões, isso na parte da tarde, às 13 horas: uma em 17 de agosto, impedindo a transmissão de 30 minutos do segundo tempo entre Brasil e Grécia pelo torneio de futebol feminino e outra em 28 de agosto, interrompendo a transmissão da decisão da medalha de bronze do vôlei feminino entre Brasil e Cuba (iniciada ao meio-dia e também transmitida pela Globo). Os únicos narradores para as transmissões diretas das provas foram Silvio Luiz, Álvaro José e Eduardo Vaz. O time de comentaristas ficaram no Brasil, as alardeadas Mulheres de Atenas, que vez e outra apareciam naquelas insuportáveis "janelinhas" durante as transmissões, dentre as quais estavam Isabel (vôlei de praia), Ana Moser (vôlei de quadra), Juliana Cabral (futebol), Luísa Parente (ginástica artística) e Vanessa Menga (tênis). Três nomes roubaram a cena na transmissão da Band: o jornalista Carlos Nascimento, que foi à Atenas só pra transmitir a Cerimônia de Abertura, a cantora Margareth Menezes, que cantava a todo instante o tema olímpico "Um por todos, todos por um" (tão insuportável quanto o tema do futebol da Globo) e José Luiz Datena, que matou as saudades dos tempos em que trabalhava com esporte para narrar dos próprios estúdios os jogos de vôlei por causa do policialesco Brasil Urgente. Isso sem contar a criação de um mascote virtual chamado Medalino, vestido de "deus grego", que aparecia na tela dando piruetas "à la Amarelinho" a cada vitória brasileira e aparecia dourado, prateado ou "bronzeado" de acordo com a medalha que o Brasil acabara de conquistar.

2008 - Pequim
A transmissão dos Jogos Olímpicos foi a primeira exibida em HDTV no Brasil. Cinco emissoras mostraram ao vivo o evento, mesmo com o fuso horário de 11 horas a mais, duas abertas e três pagas (Globo, Bandeirantes, SporTV, ESPN Brasil e BandSports). Entre as duas únicas redes abertas presentes na Olimpíada, as quais ocuparam estúdios de cerca de 500 m² no IBC, a Rede Globo enviou 120 profissionais para 10 horas de transmissões diárias ao Brasil, contou com os repórteres Sônia Bridi, César Tralli, Ernesto Paglia, Pedro Bassan, Régis Röesing, Bruno Lawrence, Abel Neto, Carlos Gil, Renato Ribeiro, Marcos Uchôa, Eric Faria e Mauro Naves, os comentários de Tande (vôlei), Oscar Schmidt (basquete masculino), Hortência (basquete feminino), Robson Caetano (atletismo) e Gustavo Borges (natação), os apresentadores Tino Marcos, Tadeu Schmidt, Glenda Kozlowsky e Pedro Bial e apenas o narrador Galvão Bueno teve a incumbência de comandar as transmissões diretas. Enquanto que a Rede Bandeirantes teve 80 enviados especiais para produzir 15 horas de transmissões diárias e teve a presença dos repórteres Henri Karan, Fernando Fernandes, Emily Virgílio, Paloma Tocci, Sérgio Gabriel e do então CQC Felipe Andreoli, os comentários de Virna (vôlei) e Luiza Parente (ginástica artística), os apresentadores Renata Fan, Elia Júnior, Guilherme Arruda e Luise Altenhofen e a narração direta de Luciano do Valle, Silvio Luiz, Álvaro José, Osmar de Oliveira e Nivaldo Prieto na capital chinesa.

2012 - Londres
Com cinco anos de antecedência, a Rede Record adquire por 60 milhões de dólares direto do Comitê Olímpico Internacional, os direitos de transmissão exclusiva em TV aberta dos Jogos Olímpicos na capital da Inglaterra para o Brasil. Obviamente financiada pela Igreja Universal do Reino de Deus, teve o absurdo de enviar a exagerada delegação de 200 profissionais para fazer aquilo que podemos chamar de "transmissão ostentação" e que logo foi classificada como "a mais vergonhosa de todas". A narração das provas eram feitas dos estúdios do IBC e isso dava para ser notado através da variação do áudio de quem tava narrando e de quem tava comentando (em sua maioria ex-atletas que ao invés de analisar coerentemente as provas, torciam quase que descaradamente pelos atletas brasileiros, subestimando os adversários, e que estavam confortavelmente acomodados nos estúdios-cabine com os ancoras de quase todos os telejornais da emissora como Janine Borba, Celso Zucatelli e Mylena Ciribelli). Os locutores foram Lucas Pereira, Marco Túlio Reis, Marcos Fernando, Eduardo Vaz, Álvaro José e Octávio Muniz e os comentários, entre tantos nomes, foram de Romário (futebol), Virna (vôlei), Acelino "Popó" de Freitas (boxe) e Magic Paula (basquete). Dentre as TV por assinatura estavam SporTV, ESPN Brasil e BandSports, esta foi a saída para dois grandes narradores esportivos da TV aberta não ficarem de fora da Olimpíada: Galvão Bueno pelo SporTV e Luciano do Valle (em sua última Olimpíada, morreu dois anos depois devido a uma parada cardíaca) pelo BandSports. Segundo os índices do IBOPE de São Paulo daquela época, a Record só liderou a audiência nas transmissões de futebol, algumas de vôlei e na disputa do judô feminino que deu a medalha de ouro para a nossa judoca Sarah Menezes, de resto o público permaneceu fiel a Globo, com ou sem Olimpíada.

E no Rio de Janeiro, como será a transmissão da TV aberta e da TV por assinatura? Vai variar o estilo? Vai ter muito "comentarista" torcendo mais que os narradores? A informação será abafada pelo "ufanismo arrogante" de uma imprensa contaminada pelo "poder de desmande" das redes sociais? Vai rolar muitas gafes imperdoáveis e tiradas idem? É só esperar para ver quem vai levar as medalhas.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

ESPECIAL: Meu Canal no YouTube

Neste post do meu blog, gostaria de falar do meu canal egon86 do YouTube. Como todos sabem, o YouTube é o maior portal audiovisual do mundo, surgiu em 2005, mas foi só no ano seguinte que a "onda" pegou em cheio no Brasil. Tomei conhecimento do site no segundo semestre de 2006 através de Mário Lúcio de Freitas, famoso produtor musical e responsável por trilhas-sonoras de séries, desenhos animados, novelas e vinhetas para programas de televisão. De tanto ver os (poucos) vídeos com imagens antigas de televisão, tive que criar uma conta (que mais tarde seria rebatizada de canal). Isso foi em 5 de dezembro de 2006. A partir de então, pude deleitar com as preciosidades da TV que chegavam conforme passava os anos, me afastando dos "vídeos-modinha" que são abundantemente divulgados em programas de televisão sem conteúdo que não tem nada pra divulgar a não ser fofocas ou tragédias de celebridades em troca de pontos de audiência. Mas para eu contar minha história de sucesso do meu canal no YT, preciso explicar a saga da internet na minha casa.
Nos três primeiros anos como dono de canal no YT, o grande entreveiro foi a falta de sinal de internet em casa. Quando ganhei meu primeiro computador, em 2002, a internet que eu possuía era em banda discada, dependia do sinal telefônico (a linha precisava estar livre para a internet ser utilizada), e banda larga era artigo de luxo. A internet "analógica" aqui em casa funcionou até 2007, só que haviam casos de que o sinal de telefone era cortado por falta de pagamento (minha mãe, que estava desempregada, atrasava o pagamento várias vezes pois o dinheiro da pensão mal dava para cobrir as despesas do mês, incluindo a mensalidade da faculdade que eu cursava), até que um dia, a internet "sumiu" de casa e tivemos que "sacrificar" por longos meses o sinal do telefone. Foi nesse período, até 2009, que usei a internet "dos outros", ou seja, usava bastante os computadores com internet da faculdade e quando eu estava de férias ia na casa de um primo da minha irmã só pra ver meus e-mails e meu canal no YT para ver os vídeos antigos de televisão. No segundo semestre de 2009, quando tive que "interromper" o último ano de Rádio e TV por problemas financeiros (retornei no ano seguinte, começando do zero o último ano), chegava a usar semanalmente um computador da igreja, em que eu congrego até hoje, ligado à internet, para fazer exatamente a mesma coisa. E foi numa dessas que tive que deletar um vídeo no qual acusaram de violar direitos autorais da Fox para que meu canal não fosse excluído. Quando passava o Natal na casa dos meus tios na Avenida Paulista, aproveitava como nunca o notebook com internet deles. Quando estava em casa, mesmo sem internet, usava o antigo computador para escrever textos e pôr em prática uma grande paixão particular: pesquisar a história da televisão brasileira em ordem cronológica, pegando textos em revistas, jornais, livros, etc.
Depois de eu passar o ano novo de 2010 em Itanhaém, mal voltei pra casa e minha mãe me preparou uma surpresa: havia ganho dos meus tios um computador novo e ela passou a assinar internet banda larga pra mim (e por tabela pra ela também). Dessa forma, nunca mais usaria a internet "dos outros" e a usaria em casa. Só que tinha um entreveiro inusitado: a internet só podia ser utilizada desde que o telefone estivesse fora do gancho, quer dizer, quando alguém usasse o telefone. As primeiras semanas tive que conviver com esse probleminha até que o serviço técnico da mesma empresa telefônica da qual minha mãe fez a assinatura de internet, identificou o problema: o sinal passava por uma única linha e seria necessário a instalação de um condensador de sinal. Resolvido o problema, passei a usufruir como nunca o meu canal no YT. Já tinha uns vídeos postados nos tempos em que eu usava a internet "dos outros" e foi então que meu canal começou a crescer. O primeiro vídeo dessa "nova fase" foi uma seqüência de fotos com o áudio até então inédito no YT da vinheta dos 10 anos do SBT: https://www.youtube.com/watch?v=62qMhtxF8Bs. Como diversas raridades da TV apareciam e sumiam de uma hora pra outra devido ao encerramento ou bloqueio de diversos canais no portal, custei pra encontrar uma maneira para baixar vídeos raros no meu computador e colocá-los num Ipod que eu ganhei dos meus tios após viajarem aos Estados Unidos (que parou de funcionar após 5 anos de bom uso). Custei também para encontrar um programa para editar vídeos online, ou seja, pegava os vídeos já postados e os fatiava para fazer uma compilação qualquer ou postar a parte uma chamada ou comercial de relevância importante. Um exemplo disso é o vídeo de uma chamada do SBT de 1988 anunciando a programação de domingo sem Silvio Santos, retirado de um intervalo comercial postado pelo canal Tratorrgs: https://www.youtube.com/watch?v=o3j3Y6H75qw. Outro exemplo são os gols dos jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1990 transmitidos pela Rede Manchete: https://www.youtube.com/watch?v=UMKTWIFZArc.
O alto custo para manter em dia o telefone mais a internet fazia minha mãe ter novamente dificuldades para manter as contas em dia e quando atrasava um dia, o sinal caía abruptamente. Até 2012 (ano em que fiz as minhas primeiras amizade virtuais), enfrentei esse "novo" problema e isso impedia o crescimento do meu canal no YT. Tive que voltar a usar a internet "dos outros". Cheguei a ficar dois meses e uma semana sem internet em casa, fiquei incomunicável, mas como está escrito na Bíblia Sagrada, depois da tempestade vem a bonança. Minha mãe enfim instalou uma TV por assinatura em casa num plano que juntava também telefone e internet e éramos para ter TV à cabo em casa em agosto, mas os gastos causados pelo casamento de uma prima minha, prorrogou a volta triunfal da internet para setembro, com direito a então "novidade" do sinal Wi-Fi. A TV à cabo chegou em casa após anos e anos de espera, minha mãe fez isso pensando na minha irmã, principalmente, por causa da falta de qualidade dos canais abertos e a internet voltou pra ficar e isso possibilitou um avanço no meu canal no YT. Só que esse "avanço" só pôde acontecer em abril de 2013 pois nesse meio-período devido ao tempo livre que dispunha (pois mandava currículos e eu não era chamado para trabalhar), me tornei sócio da Pró-TV (Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da TV Brasileira) e fiz novos amigos (de carne e osso). Veio então um convite para a assembléia extraordinária da associação, coincidentemente no mesmo dia da tradicional missa anual deles, com a presença obrigatória dos membros e pedi emprestado para a irmã de um amigo da minha mãe uma câmera digital para fazer o centésimo vídeo do meu canal no YT onde mostrava a Pró-TV e peguei depoimentos do pessoal da associação como a presidente Vida Alves e até da atriz Ana Rosa! Quando voltei pra casa, editei tudo naquela noite e postei uma semana depois. O vídeo pode não ter sido um sucesso, mas abriu as portas para o crescimento do meu canal no YT: https://www.youtube.com/watch?v=c_SpGsze-FA.
Os problemas de queda no sinal tornaram problemas mínimos se comparando ao progresso do egon86 no YouTube. Logo, descobri que haviam vídeos longos postados com intervalos comerciais que precisavam ser "fatiados" e postados separadamente (prática esta que mantenho até hoje, a "Operação Mortadela", mas sempre pedindo devida autorização a donos de outros canais). E também descobri vídeos de outros portais com trechos bem interessantes que mereciam estar à disposição do grande público como os da Cinemateca Brasileira que disponibiliza no Banco de Conteúdos Culturais capítulos de novelas da TV Tupi com direito a vinhetas raríssimas da emissora pioneira do Brasil:
Vinheta da TV Tupi de 1977 - 1ª Versão: https://www.youtube.com/watch?v=3sKP0SASs5M
Vinheta da TV Tupi de 1977 - 2ª Versão: https://www.youtube.com/watch?v=pe78bY0OqKg
Vinheta de Fim de Ano da TV Tupi de 1977: https://www.youtube.com/watch?v=0gmBvHpqPQk
Vinheta da TV Tupi de 1978: https://www.youtube.com/watch?v=nGFF7oXXa1w
Vinheta da TV Tupi para a Copa de 78: https://www.youtube.com/watch?v=wDhFeiK6K9U
Vinheta da TV Tupi anunciando a nova programação para 1978: https://www.youtube.com/watch?v=1p31wHfLOUM
Vinheta da TV Tupi no Carnaval 79: https://www.youtube.com/watch?v=hp8EsTaXJJo
Vinheta da TV Tupi de 1980: https://www.youtube.com/watch?v=x1-D7lvzj0o
Outro exemplo é o Zappiens, portal do Arquivo Nacional, do qual retirei minha primeira postagem de um vídeo de longa duração, Brasil Hoje de 1975https://www.youtube.com/watch?v=_m6V9XEEPFA
Tive que baixar um novo navegador com uma extensão que possibilitava baixar vídeos de diversos portais, instalar uma nova versão do Movie Maker (simples programa de edição de vídeo que utilizo até hoje), instalar um software que convertia arquivos MP4 em WMV (até porque quando "travava" os arquivos MP4 no Movie Maker, eu tinha que convertê-los em WMV para poder editá-los) e outro software para arquivos de áudio (o som é muito importante nos vídeos que eu posto, por isso tenho a necessidade de amplificá-los para que ninguém reclame do "som baixo", e em alguns casos, ser ouvido nos dois canais de áudio, L&R). Foi a partir de então que passei a fazer postagens semanais no YT, às quintas ou sextas-feiras, comecei com cinco vídeos e depois, com a consolidação do canal, passei a adotar o sistema de 10 postagens semanais, só que em alguns casos extrapolo e passo da primeira dezena caso a série de intervalos comerciais seja longa. Em 2014, vasculhei a internet à procura de colecionadores de imagens de TV (já conhecia alguns nos tempos da faculdade) para poder adquirir alguns volumes em formato DVD de programas raros da TV brasileira que pudessem ser postados no meu canal, pois precisava de conteúdo inédito. Nunca tive problemas, até porque esses colecionadores (que por razões éticas, não vou citá-los) servem de fonte a outros canais co-irmãos que postam as mais variadas raridades da TV (seja novelas, telejornais, filmes, programas de TV e lógico, intervalos comerciais). Tudo começou com os vídeos da Rede Record de 1998 com trechos do jogo semifinal do Campeonato Paulista entre São Paulo e Palmeiras e do programa Cidade Alerta (https://www.youtube.com/watch?v=HtXMPm9NOIw), sem contar uma vinheta até então inédita da emissora no YT (https://www.youtube.com/watch?v=xaThZu6-PGk). E passei a postar vídeos mais longos de programas até então inéditos no YT como um Viva a Noite de 1990, reprisado em 1991 (https://www.youtube.com/watch?v=L1qtDAmFaPo), no qual só pude postar após passar seis meses de "castigo" quando o Comitê Olímpico Internacional bloqueou dois vídeos meus e tive que deletá-los, mas mesmo assim não podia nesse período postar vídeos acima de 20 minutos.
Com tanto arquivo sendo baixado e armazenado no "computador comunitário" (minha mãe e minha irmã usavam também, antes de ambas ganharem respectivamente um Smartphone e um Iphone, para ver seus Facebooks), o PC da marca Nextera (ruinzinha por sinal) não aguentou e teve um treco transformando os arquivos em arquivos fantasmas, ainda em 2011, e só foi recuperado por um amigo da minha mãe que é especializado em TI, tive que pedir emprestado um Pendrive para salvar meus documentos para ele fazer o Backup. A tela do Desktop (Área de Trabalho) ficou preta e vez e outra aparecia uma chavinha com um balãozinho acusando que a cópia do Windows não era válida. Com o tempo, senti a necessidade de ter um notebook só pra mim e meus tios me perguntaram um dia o que é que eu queria ganhar de Natal e não titubeei: um kit completo com notebook, mouse sem fio, mousepad e headphone. Desde 2015, uso o tal notebook e o canal egon86 vem fazendo sucesso com os vídeos raros da televisão contando com uma estrutura simples e com os mesmos programas e softwares atualizados para Windows 8, e depois Windows 10, já que o notebook é compatível. Outro progresso do canal é o sinal Wi-Fi de internet (no qual já utilizava desde 2013 com o Ipod), no meio de 2015, o sinal da NET (internet, telefone e TV por assinatura) caiu por (mais uma vez os benditos) problemas financeiros e descobri que nos lugares próximos a minha casa tinham sinal de internet "sem fio". Aí consegui a senha do sinal Wi-Fi de um vizinho gente fina e internet nunca mais foi problema em casa, só que eu tinha que usar o notebook na sala de estar por causa do alcance do sinal, o que é outro avanço em poder utilizá-lo em qualquer lugar da casa, até fora de casa, como num restaurante de comida chinesa aqui do bairro no qual ia lá pra ver minhas mensagens, meu canal no YT e também comer um Rolinho Provolone que é uma delícia. Agora, avanço maior foi quando viajei para o apartamento dos meus tios no Guarujá, levei meu notebook pra lá para manter-me "conectado", foi meio difícil encontrar algum vizinho de prédio que pudesse passar pra mim a senha do Wi-Fi e isso consegui um dia depois que eu cheguei lá na "Praia".
Perto de completar 10 anos, meu canal possui mais de 3 mil inscritos e teve mais de 3 milhões de visualizações. Muitos vídeos bloqueados por violação de direitos autorais tive que deletar, alguns tornei privado para não perder recursos importantes. Milíades e milíades de vídeos estão lá (e outros muitos estarão) à disposição pra qualquer um ver e comentar de graça. O YouTube no Brasil vem sendo utilizado como o principal instrumento de difusão da memória da publicidade, do esporte e da televisão brasileira e isso tem que ser falado, comentado e divulgado, pra que o maior portal audiovisual do mundo mostre pra todos esse "lado bom" e as emissoras brasileiras precisam reconhecer mais e mais do que ficar pegando vídeos antigos para serem exibidos na TV ao mesmo tempo em que os bloqueia, por mais que haja conteúdo histórico e precioso que por uma arbitrariedade injusta fica impossível de ser disponibilizado para o grande público. A intensão do meu canal e de outros canais co-irmãos é a mesma: apenas divulgar e compartilhar momentos importantes e históricos da televisão brasileira e a gente não quer nada em retorno, muito menos ganhar às custas dos outros, somos apenas fãs da boa televisão aberta que hoje não se faz mais. Bem que o YouTube Brasil podia fazer um evento celebrando a perpetuação da preservação da memória da TV brasileira convidando YouTubers colecionadores de imagens antigas e donos de canais especializados em tal, se confraternizando com diretores e personalidades da televisão. Seria uma ótima ideia, não acham? Enquanto isso divirtam-se e deleitem-se com meu canal no YouTube, eis o link: https://www.youtube.com/channel/UCgyDf1CuOPZnqnJ2CJzetZQ

ATENÇÃO: Alguém conhece algum outro colecionador que possui em DVD a terceira parte do show de inauguração da Rede Manchete? Eu tenho os dois volumes dessa inauguração e estou atrás do terceiro, sei que existe o terceiro porque postaram no YT um trecho com um musical da Zizi Possi nesse mesmo show de inauguração da emissora que não consta nos outros dois volumes, olhem a prova postada por Robert Videos, fã inveterado da cantora: https://www.youtube.com/watch?v=HWpTg3l5xx8. Alguém tem alguma indicação de outro colecionador que tenha essa "terceira parte"? Estou à procura pois tenho a intensão de postar o programa inaugural intitulado "O Mundo Mágico" na íntegra! Posso até pegar emprestado apenas para converter os arquivos e depois devolver se esse for o problema. Por isso ME AJUDEM NESTA CAÇADA!

Minha saudação especial aos canais do YT segmentados na preservação da memória da nossa TV, só pra citar alguns:
- Higor Vieira (de Franca, São Paulo)
- Danilo "Pedro Janov" Rodrigues (de Osasco, São Paulo)
- Valldevir Junior, William de Jesus Silva e Lucas do canal FilmesVHS (todos de São Paulo capital)
- Fred Danelon (grande parceiro, dono dos canais 93Fr1, 93fr2 e 93fr3)
- Ted Sartori (do Arquivos1000 e Só Esportes, de Santos, São Paulo)
- Di Marcos Solena (do canal Arca da Fuzarca)
- Matthews Gregory (do CANAL MV1 e Grupo da Informação)
- Fábio Baccarat
- Henrique Zambelli
- Bruno Chiuratto
- Pedro Silva
- Roberto Antônio Cera
- Soraia S.
- ANDRE VHS e AcervoTroféuImprensa
- Mauro Veiga, Vagner Costa e VHS Memória (todos do Rio de Janeiro)
- Ichigo Kurosaki (de Fortaleza, Ceará)
- Adriano (dono do canal Futebol Das Antigas)
- Edi do canal Memórias da TV (de Salvador, Bahia)
- Intervalos de Televisão (outro grande parceiro)
- Rubinho Nova (de Itapetinga, Bahia)
- Dilermando Dias (de Porto Alegre)
- Mickael do canal De Volta Para o Passado (de Gravataí, Rio Grande do Sul)

segunda-feira, 13 de junho de 2016

HISTÓRIA: Pássaros Feridos

O SBT estava comemorando quatro anos no ar e estava sendo cobrada pela crítica e até por uma parcela do público telespectador em investir em programas de qualidade, pois estava sendo tachada de "monumento ao mau-gosto nacional" e apelidada de "sistema brega de televisão". Não adiantava liderar a audiência no horário nobre com programas de qualidade duvidosa e de extremo populismo, precisava conquistar as classes de maior poder aquisitivo e os anunciantes de primeiro escalão. Para isso, Silvio Santos não se fez de rogado, com a colaboração do seu então braço-direito Luciano Callegari (o qual considero o maior estrategista de televisão em toda a história) resolveu dar uma modificada na programação e ao tomar conhecimento de uma sinopse de uma minissérie estrangeira disponível para compra (da história de um amor proibido entre um dedicado padre e uma sedutora mocinha), o "Patrão" não pensou duas vezes em adquiri-la e queria tornar aquele melodrama num sucesso no Brasil, como aconteceu em vários países. Era o início da saga verde-amarela de Pássaros Feridos. A distribuidora Warner Brothers Television chegou a oferecer o tele-filme para a Rede Globo em 1984, só que a emissora-líder abriu mão do negócio com receio da Censura Federal vetar o romance por causa das aventuras sexuais de um padre. A Globo sofria pressões externas devido ao grande alcance e a enorme audiência que ela possuía (e possui até hoje).
Tudo se passa com as três gerações da família Cleary durante 40 anos, entre as décadas de 20 e 60. A rabugenta Mary Cleary Carson, solitária proprietária da fazenda de criação de ovelhas Drogheda, se mostra apaixonada pelo padre Ralph de Bricassant, que por sua vez a rejeita implacavelmente. Bricassant acaba conhecendo a sobrinha-neta da fazendeira, a doce Meggie, da qual ele torna seu protetor. Anos depois, após saber da morte da dona da fazenda (que deixa uma herança de 13 milhões de libras esterlinas a ele), Ralph reencontra a garota já adolescente e acaba despertando uma impetuosa e proibida paixão entre os dois. Mas em meio a reviravoltas, terá de lutar contra si mesmo: ou largará a igreja para ceder a beleza de Meggie ou manterá firme o celibato para chegar ao cargo de cardeal arcebispo da Igreja Católica, seu grande sonho. Ralph imediatamente consegue sua ascensão, sendo obrigado a rejeitar o amor de Meggie, que por sua vez se casa com o rústico tosador de ovelhas Luke O'Neill e acaba tendo uma filha com ele. Logo, os dois se separam e Meggie e Ralph, coincidentemente, se reencontram numa ilha deserta onde acabam se entregando de amor um ao outro. A cena de amor entre os dois foi classificada pela revista norte-americana Newsweek como "a mais erótica da TV de todos os tempos" e ainda foi apresentada pelo Troféu Imprensa como o "momento mais marcante de 1985". Mas o cardeal se arrepende, toma consciência do pecado que cometeu ao cair em tentação, só que ele não sabe que deixou a moça grávida. Em 1962, Meggie já era mãe de dois filhos crescidos, mas com tratamentos diferentes (maltratava a filha que teve com O'Neill e demonstrava carinho com o filho que teve com Ralph), e depois de muita espera, reencontra-se com o padre e revive uma noite de amor como a muito tempo não tinha.
A minissérie Pássaros Feridos é baseada no best-seller homônimo da escritora australiana Colen McCullough, sendo publicado pela primeira vez em 1977 e editado em 21 países, sendo sucesso absoluto de vendas em todos eles e dentre os quais o Brasil (que lançou o romance em junho de 1978), que até então foram vendidos 240 mil exemplares, totalizando 15 edições (a última havia sido impressa em outubro de 1980), e estava se preparando lançar a 16ª tiragem do livro através da editora Difel. O título da obra foi inspirado numa lenda celta: um pássaro passa a vida inteira procurando um espinheiro e quando o encontra, se atira nos galhos pontudos e emite seu único e sofrível canto de toda sua vida. Produzido pela Warner Brothers Television e exibido pela rede norte-americana ABC em março de 1983, o custo total de produção foi milionário: 20 milhões de dólares. A trama foi gravada nos estúdios da Warner Corporation em Hollywood com belas locações na Califórnia e no Havaí, chegando a envolver o aluguel de 1.500 ovelhas e até de um canguru que teve um ataque cardíaco nas primeiras filmagens e morreu, mas teve tempo de ser registrado no primeiro capítulo. Contando com a produção de Stan Marguiles e David Wolper e direção de Daryl Duke, o elenco contou com nomes importantes e conhecidos do grande público para os papéis principais: Richard Chamberlain, Barbara Stanwyck, Christopher Plummer, Sydney Penny e Rachel Ward. Além deles, estavam também no elenco Jean Simmons, Richard Kiley, Ken Howard, Piper Laurie, Mare Winningham e Bryan Brown.
O SBT havia adquirido os direitos de exibição de Pássaros Feridos em agosto de 1984 por 130 mil dólares e o transformou em uma série de cinco capítulos com 120 minutos cada a serem exibidos entre 19 e 23 de agosto de 1985, justamente na semana de seu quarto aniversário. Suas primeiras chamadas começaram a ir ao ar nos intervalos da programação em junho e foi somente em agosto, faltando pouco mais de duas semanas para a estréia, que apostou num maciço e inédito esquema de divulgação jamais utilizado por uma emissora de TV: foram investidos 370 milhões de cruzeiros em publicidade em anúncios de página inteira em jornais e revistas e até em spots para emissoras de rádio do eixo Rio-São Paulo. O espaço reservado para cinco cotas comerciais foram vendidos em tempo recorde, embolsando mais de 2 bilhões de cruzeiros pelo patrocínio de Niasi Cosméticos, Relógios Cosmos, Colchões Probel, São Paulo Alpargatas e Laboratórios Dorsay (cada cota custava 410 milhões de cruzeiros), sem contar as cotas suplementares adquiridas pelo Banco Itaú (próxima atração) e Philips (top de 8 segundos). Nos dias 11 e 18 de agosto, Silvio Santos anuncia a seus telespectadores, com total naturalidade, durante seu programa: "Segunda-feira, dia 19, logo depois da novela da Globo, vocês vão poder assistir aqui no SBT a um filme sensacional: 'Pássaros Feridos'. Não precisam deixar de assistir a novela. Assistam a novela e depois vejam o nosso filme. Este filme é muito bom, um filme que eu já assisti várias vezes e é ótimo. Conta a estória de um padre que se apaixona pela sobrinha de uma fazendeira, não percam. Mas lembrem-se: o filme só vai começar depois que a novela da Globo terminar, é claro que é uma bela novela e eu também assisto, mas 'Pássaros Feridos' é muito melhor, é um programa espetacular". Ao anunciar a atração, Silvio, que aproveitou em exibir pequenos trechos de cenas da minissérie durante seu programa, espantou seu público telespectador, pois a "novela da Globo" que ele se referia era nada mais, nada menos, que Roque Santeiro, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, a novela de maior sucesso da história da teledramaturgia brasileira que, literalmente, parava o Brasil conquistando índices de 80% de audiência nacional (e que arrematou quatro Troféus Imprensa de 1985: melhor novela, melhor ator com Lima Duarte, melhor atriz com Regina Duarte e revelação do ano com Cláudia Raia). Muitos achavam o cúmulo de uma "concorrência desleal", o Silvio fazer promoção indireta de Roque Santeiro para fazer de Pássaros Feridos um grande sucesso, nem que seja "na marra". Era a primeira vez na história que um programa de TV era lançado usando a programação da emissora concorrente. Isso se repetiu em 1994 com a estréia da novela Éramos Seis e tal prática tornou-se muito comum nos bastidores do SBT.

Como foi o esquema inédito de divulgação de Pássaros Feridos:
- Inserção de teasers (chamada superficial de poucos segundos) em junho
- Amostras da minissérie passam a ser exibidos em julho
- Divulgação da data de lançamento desde o começo de agosto, duas semanas antes da estréia
- Anúncios de página inteira foram publicadas sexta, sábado e domingo em nove jornais de São Paulo e três do Rio de Janeiro
- Chamadas no rádio e publicidade em revistas nacionais totalizando 7 milhões de cruzeiros (mais da metade pelo sistema de permuta, como é conhecida a troca de divulgação publicitária)

Pássaros Feridos quebrou recordes e conquistou índices líderes de audiência pelo mundo. Na Austrália, onde se passa a trama, conseguiu 44% de audiência. Nos Estados Unidos, onde a série foi gravada, obteve 42% de audiência. E na Europa, o recorde pertence à Itália, onde atingiu 39% de audiência com a exibição da minissérie. A recompensa disso tudo foi a conquista de seis prêmios Emmy, considerado o "Oscar da televisão mundial": melhor atriz com Barbara Stanwyck, melhor ator coadjuvante com Richard Kiley, melhor atriz coadjuvante com Jean Simmons, melhor montagem, melhor direção de arte e melhor maquiagem. No Brasil, não foi diferente: a direção do SBT esperava em conseguir índices de 25 a 30 pontos de audiência na exibição de Pássaros Feridos, porém, as expectativas foram superadas. Um diretor de marketing da emissora previa que a Globo colocaria um longo capítulo especial de Roque Santeiro para atrapalhar o início da minissérie devido ao alarde feito por Silvio Santos.
Na segunda-feira, dia da estréia, desencadeou-se a primeira guerra de audiência entre Globo e SBT. Percebendo que seria seriamente ameaçada pela astuta concorrente, a Rede Globo resolveu esticar por mais 10 minutos sua novela e o SBT passou então a adotar uma artimanha que seria repetida anos mais tarde: a determinação de preencher o espaço vazio da programação com desenhos animados da Pantera Cor-de-Rosa (estampando na tela o seguinte GC "Dentro de instantes, assista 'Pássaros Feridos'"), que poderia ser interrompido a qualquer momento assim que a novela Global encerrasse. Silvio Santos havia garantido a seus telespectadores que Pássaros Feridos entraria no ar no minuto seguinte ao encerramento de Roque Santeiro (só que o interprograma tinha quase 3 minutos de duração!) e o tele-filme estreou exatamente às 21h28, conseguindo grande audiência para o horário (veja quadro abaixo). Na terça-feira, sentindo baque provocado pela minissérie do SBT, a Globo reagiu e partiu pra valer para o ataque: esticou por mais 15 minutos o Jornal Nacional, cujo encerramento só aconteceu às 20h40 quando começou Roque Santeiro, que por sua vez teve 20 minutos de prolongamento, se encerrando às 21h55. Na quarta-feira, a minissérie só pôde entrar no ar às 21h50, na quinta às 21h53 e na sexta, chegou-se ao cúmulo da novela Global findar seu capítulo às 22h05, causando sérios atrasos na programação, mas nada atrapalhou o sucesso de audiência de Pássaros Feridos. São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Goiânia colocaram a minissérie do SBT no primeiro lugar de audiência, mas no Rio de Janeiro, reduto Global, Pássaros Feridos não obteve a liderança, porém, quadruplicou os índices de audiência do SBT na Cidade Maravilhosa e de quebra conseguiu tirar da Globo 20% de audiência do horário nobre. A imprensa na época destacou enormemente o feito, que pode ser definido nesta frase: "Enquanto os telespectadores terminavam de ouvir um sermão moralista do padre Hipólito em 'Roque Santeiro', se preparavam para mudar de canal e acompanhar os dramáticos lances da impetuosa paixão do padre Ralph de Bricassart em 'Pássaros Feridos'". No final das contas, o SBT obteve lucro de 3 bilhões e 200 milhões de cruzeiros com a minissérie.

SBT x Globo no horário nobre (na faixa das 21h30 às 23h30):

São Paulo
19/8: Pássaros Feridos - 47 / Viva o Gordo - 27
20/8: Pássaros Feridos - 50 / Terça Nobre: Magnum - 14
21/8: Pássaros Feridos - 41 / Chico Anysio Show - 21
22/8: Pássaros Feridos - 31 / Globo Repórter - 22
23/8: Pássaros Feridos - 42 / Tenda dos Milagres - 17

Porto Alegre
19/8: Pássaros Feridos - 47 / Viva o Gordo - 21
20/8: Pássaros Feridos - 48 / Terça Nobre: Magnum - 22

Curitiba
19/8: Pássaros Feridos - 47 / Viva o Gordo - 19

Rio de Janeiro
19/8: Viva o Gordo - 47 / Pássaros Feridos - 27
20/8: Terça Nobre: Magnum - 46 / Pássaros Feridos - 21
21/8: Chico Anysio Show - 42 / Pássaros Feridos - 22

Média Semanal Segundo o IBOPE:
São Paulo: SBT - 44 / Globo - 16
Belo Horizonte: SBT - 36 / Globo - 23
Porto Alegre: SBT - 50 / Globo - 26
Curitiba: SBT - 48 / Globo - 19
Goiânia: SBT - 39 / Globo - 31

Média Semanal Segundo a Audi-TV:
São Paulo: SBT - 37 / Globo - 17
Rio de Janeiro: SBT - 24 / Globo - 29

Curiosidades:

* Pássaros Feridos foi o único programa de TV que conseguiu vencer a Globo no horário nobre em 1985, algo considerado impossível para aqueles tempos. A Audi-TV publicou uma lista com os 10 programas mais assistidos de São Paulo entre 19 e 25 de agosto de 1985 com uma agradável surpresa: Pássaros Feridos aparecia em nono lugar no ranking geral da semana, obtendo índice de 37 pontos de audiência. Foi com isso que o SBT quebrou um tabu: pela primeira vez em mais de 10 anos, os 10 programas de maior audiência em São Paulo não estavam sendo amplamente dominados pelas atrações Globais como era de costume. A minissérie chegou até ser premiada simbolicamente pelo Troféu Imprensa como o "melhor longa-metragem exibido na TV em 1985" (só pra proteger a imagem do SBT, desde aquela época, e ninguém fez nada para combater isso). Pássaros Feridos foi reprisada quatro vezes: em fevereiro de 1986 (na sessão Grandes Reprises), em janeiro de 1988 na Semana Série (cumprindo uma cláusula contratual que previa outras duas exibições da minissérie em um prazo de três anos), em março de 2000, exibida após o Show do Milhão (com capítulos de 60 minutos de duração) e em outubro de 2006 numa versão remasterizada e sem cortes (se aproveitando do encerramento do primeiro turno das eleições presidenciais daquele ano e servindo de comemoração aos 25 anos do SBT).

* Pássaros Feridos esteve também na lista dos 10 livros mais vendidos do gênero ficção. A minissérie ajudou o romance de Colen McCullough, que a inspirou, a alavancar suas vendas em 33 livrarias de 11 cidades brasileiras. A editora Difel tinha lançado a 16ª edição do livro com tiragem de 150 mil exemplares. Na semana de exibição da minissérie, Pássaros Feridos era o nono livro mais vendido, mas na semana seguinte, pulou para o quarto lugar, graças a promoção feita pelo próprio SBT, anunciando a publicação do livro no encerramento de cada capítulo da minissérie.

Frases:

Eu achei que a Globo estava muito quieta, o que era estranho. Quando lancei "Masada", a Globo veio com "Shogun" e "Os Últimos Dias de Pompéia". Eu havia pago 240 mil dólares por "Masada" e tive prejuízo. Agora, senti que ela ia jogar o "Roque Santeiro" em cima de mim, bem quietinha. Pensei: 'Pode deixar', e fiz a propaganda do "Roque" e dos "Pássaros". A Globo errou ao não colocar uma coisa melhor para concorrer com "Pássaros Feridos". Tivemos sorte, pois a Globo não tinha nada de muito bom para oferecer.
Silvio Santos, em entrevista para a Veja em 1985

Os programas (da Globo) são muito bem produzidos mas não chegam a seduzir o público, especialmente o de renda mais baixa. Imaginamos que, com uma boa atração, poderíamos dividir a audiência. O "Viva o Gordo" é um programa inteligente, mas não agrada à classe C. Chico Anysio não está num ano brilhante, "Globo Repórter" e a programação de sexta-feira têm altos e baixos. Na verdade, mais baixos que altos. E por aí que tínhamos que cutucar o adversário.
Luciano Callegari, superintendente operacional do SBT em 1985

No meu canal no YT postei TODOS os intervalos comerciais exibidos durante os cinco capítulos de Pássaros Feridos da época, exatamente entre 19 e 23 de agosto de 1985. Encerro este post compartilhando com todos vocês o link de um vídeo raríssimo no qual tive o privilégio de postar em primeira mão: o interprograma de espera de Pássaros Feridos. Começa com um trechinho final do Momento Menudo, dois boletins do informativo Últimas Notícias (notem o nervosismo do apresentador Marcel Abadiè pelo fim da novela Global, ele até ri discretamente quando lê notas sérias) e um trecho rápido do desenho animado da Pantera Cor-de-Rosa (dois desenhos foram exibidos, um deles tive que cortar para não violar a política de direitos autorais), além é lógico das vinhetas que antecederam a estréia da minissérie estrangeira, deleitem-se: https://www.youtube.com/watch?v=3p7HooQCMJ4