OPINIÃO: A Lei Áurea da Revolução Digital

O Bóris Casoy teria razões de sobra para dizer de boca cheia seu célebre jargão durante a Copa do Mundo FIFA 2026 "Isso é uma vergonha...

segunda-feira, 22 de junho de 2026

OPINIÃO: A Lei Áurea da Revolução Digital


O Bóris Casoy teria razões de sobra para dizer de boca cheia seu célebre jargão durante a Copa do Mundo FIFA 2026 "Isso é uma vergonha" e não estou falando da preparação da Seleção Brasileira. O monopólio Global, a meu ver, pelo menos na mídia tradicionalista, está longe de acabar. Só mesmo quando um asteroide cair sobre nosso país que tudo vai terminar. Os chamados "miseráveis", que não possuem um smart-phone sequer por mais "vagabundo" que seja, devem estar aborrecidos e magoados com o fato de presenciarem o maior veículo de comunicação do Brasil, o Grupo Globo, limitar o número de jogos transmitidos desta Copa do Mundo e impor regras doentias para certas concorrentes (leia-se o simulcast SBT/N-Sports) que se atreverem a dividir a transmissão com ela e mostrar os mesmos 32 jogos que a dita cuja mostra, alegando "direitos de licenciamento", e privar o grande público de assistir muitos jogos importantes em tempo real dessa que é, sem dúvida, a "maior Copa de todos os tempos". É o mesmo modus-operandi de 20 anos atrás, em que a Band, por contrato, repetia os mesmos jogos transmitidos pela Globo no Paulistão, Copa do Brasil e Brasileirão, e acabou com a fonte seca (cujas sequelas são sentidas até hoje em seu caixa). Ou seja, licenciamento imposto por um grupo de comunicação faz mal para os cofres. O YouTuber Allan Simon, especialista em mídia esportiva, chegou a comentar que esse tipo de método de licenciamento de direitos de transmissão de futebol não é nada viável. Será que a Globo quer se vingar do SBT? Com a intensão de quebrá-la financeiramente após ter sofrido 45 anos de bullying da mesma?

Outra decepção é na TV paga e, nesse ponto, agora entendo o quão é nocivo para o ecossistema das comunicações auriverdes o tão alardeado "Uma Só Globo". Creio eu que é um mecanismo de aglutinar num único CNPJ os direitos de transmissão do esporte em geral (não só o futebol). E cada vez mais o esporte vem se fortalecendo como uma das principais atrações do audiovisual brasileiro, ao lado do jornalismo, séries e filmes de longa-metragem. Isso é fatal pois expõe a vulnerabilidade daqueles que vendem esses direitos de transmissão e aceitarem caçambas de dinheiro, ao mesmo tempo em que são neutralizados no que diz respeito a imposição de regras, permitindo uma coleção de vendas casadas. Mais uma vez, o SporTV cometeu mancada e está repetindo os mesmos limitados jogos que sua matriz da TV aberta está transmitindo, só que com equipe própria. Eu até desisti de acompanhar a Copa pelo canal pago, os narradores estão exagerando demais nos gritos (coisa que não era do feitio de alguns locutores "comportados"). Não se pode igualar em um só CNPJ a abordagem do evento de outras plataformas, cada plataforma tem seu tipo específico de público, abordagem e linguagem, essa é a conclusão que eu tiro. Deveria ter um mínimo de respeito aos públicos diferenciados para cada plataforma existente. Pra refrescar a memória, na última Copa, então com 32 países e 64 partidas, o SporTV deixou de mostrar quatro desses jogos em tempo real em seus canais alternativos e o contrato para FWC Catar/2022 obrigava o Grupo Globo a mostrar ao vivo todos os 64 jogos, mas na última rodada da fase de grupos, por exemplo, mostrou ao vivo (pelo Grupo H) Uruguai x Gana e fez Portugal x Coréia do Sul se relegar a uma exibição em delay (o antigo VT completo). O segundo canal maratonava as lutas do Campeonato Mundial de Judô, até aí tudo bem, mas o terceiro canal teve a pichorra de exibir (ou reprisar) dois especiais, um de UFC e outro de MMA bem na hora do jogo. Como pode o maior grupo brasileiro de comunicação usufruir de um único CNPJ para querer a exclusividade da Copa pra todo sempre amém, limitando o número de transmissões para TODAS as plataformas que tem a disposição e privando o público em poder acompanhar ao menos os resultados em tempo real daqueles jogos tachados de "medíocres" pela grande mídia?!


A salvação da lavoura está num canal do YouTube que, neste momento, vem revolucionando o modo de se cobrir, transmitir e assistir um jogo de futebol numa tela qualquer, seja smart-phone, tablet, laptop, notebook, PC tudo em 1 ou smart-TV. E não satisfeito com isso, está se tornando o porta-estandarte da Revolução Digital que o Brasil tava precisando desde o lock-down da pandemia da Covid, em que os macacos-velhos de plantão não se enxergaram e nem sequer reviram seus suspeitosos conceitos, preferindo moldar nossa sociedade em troca de muita propina. Tem gente que não gosta, o fã-clubismo das redes sociais por certas emissoras abertas sente uma inveja inflamada na maior covardia, mas temos que admitir que a CazéTV mal iniciou os trabalhos da FWC United/2026 e começou goleando a mídia convencional mostrando TODOS os 104 jogos da competição. O que começou com uma sociedade numa obscura plataforma paga chamada Twitch, há quatro anos, para a exibição ao vivo de jogos do Atlético-PR, hoje o canal cresceu tanto que suas transmissões esportivas são gratuitas e liberadas para todos (independente se você é inscrito ou não) e vem melhorando seu nível a cada dia, apesar da linguagem adaptada (e aceitável) das redes sociais, sempre contando com uma generosa cota de seriedade (como não pode deixar de ser), para uma mídia nova que, aos poucos, vem sendo descoberta e ganhando notoriedade. No streaming, você pode dizer, com classe, que "fulano é foda" e "cicrano cometeu uma cagada", coisas que até mesmo numa TV paga você não pode se atrever a balbuciar (agradeçam ao falso-moralismo que moldou a TV brasileira de tubo). O Casemiro Miguel, que atua como comentarista nas transmissões, está de parabéns, ele é um cara esperto que percebeu o potencial do streaming livre no filão esportivo, uma atração que jamais deverá sair do ar em nenhuma plataforma audiovisual brasileira. Posso dizer que o tal Cazé (de Casemiro, nada tem a ver com o Cazé Peçanha, ex-VJ da saudosa MTV Brasil) está se tornando uma espécie de mecenas do esporte brasileiro nas telas, ou melhor, cumprindo o papel de "Princesa Isabel da comunicação brasileira", isso justifica o título deste post. Nas palavras do outro Cazé "Aêêê, sensacionaaaal!!!".

Se ao primeiro momento, eu imaginava um grupo sarrista e piadista tanto quanto há fartamente na TV aberta (que adora a exposição ao ridículo), logo quando começou a Copa me surpreendi. A equipe da CazéTV tem carisma e é super antenada, os comentários repletos de detalhes incríveis e conteúdo considerável, capazes de transformar um jogo dito "medíocre" numa atração de primeira grandeza. Sobre seus integrantes na cobertura da Copa, destaco na narração, Marcelo Hazan. Ele tem um timbre de voz agradável e adequado para uma transmissão de futebol dos novos tempos, sem gritos excessivos. Temos o experiente Fernando Nardini, que captou logo de cara a vibe da CazéTV e vem conseguindo um ótimo desempenho, mas precisa controlar um pouco seus "surtos". Foi uma boa contratação para o canal do veterano Narda, aliás, eu o acompanho há muito tempo, desde quando ele atuava na TV aberta, com passagens na Band e na Record. O Gonçalo Luís também tem um tom de voz aceitável, mas precisa rechaçar um pouco os gritos que aí vai melhorar bastante sua performance. Lógico que os agudos do Raony Pacheco e do Alex Zudo incomodam um pouquinho, mas é bom sempre separar o joio do trigo, já o Luiz Felipe Freitas vem progredindo com uma incrível segurança, controlando com sabedoria seus supostos "berros" e melhorando cada vez mais seu nível, tendo a consciência e a responsabilidade de ser o titularíssimo do canal, ganhando cada vez mais a confiança do "comparsa" Casemiro Miguel. No time de comentaristas, a mulherada vem demonstrando que entendem muito de bola, dão mostras de confiabilidade e estão bem atentas com as condições físicas dos craques da Copa. A Laura Luzzi e a Amanda Vianna mostram que beleza não põe mesa e são bastante eloquentes no timing das palavras bem colocadas durante as transmissões. Lógico que a experiência de uma Juliana Cabral (ex-capitã da Seleção Brasileira Feminina de Futebol) vem fazendo toda diferença, sua visão de jogo, até de duelos aparentemente "medíocres", é incrível. Pelo menos, a CazéTV não se contenta em transmitir os jogos em off, tem pelo menos uma equipe em cada local onde os jogos estão sendo realizados. Não vejo até agora da parte deles nenhuma patriotada excessiva de "gente ignorante", que é uma coisa tão comum que enche o saco de quem bate o pé pela TV aberta (leia-se Rede Globo) e a obsessão pela ultrapassada batalha ibopística vinda de um instituto homônimo que não troca a TV de tubo e o computador de 8 bits pelas mídias digitais por nada deste mundo. Isso me cheira a sujeira escondida por debaixo do tapete (os conchavos entre os Marinho e os Montenegro), não acham?


Acho muito desnecessária (e uma grande bobagem) essa briga mesquinha entre o Grupo Globo e a CazéTV pelos direitos de transmissão do esporte, até porque "o sol brilha para todos". Cada um tem sua plataforma específica e, torno a repetir, seu público específico para tal: quem prefere o streaming livre, vai sempre assistir futebol no streaming livre, agora quem gosta de ver na TV aberta, irá sempre ver a bola rolando na TV aberta, assim como na TV por assinatura. O público mais maduro, adulto e idoso, que mais assistem TV aberta no Brasil, jamais terão um comportamento "descolado", meio que imposto pelas grandes redes. Isso é democratizar as comunicações, que procura acabar com a maldição da competição, mas, culturalmente, o Brasil não gosta de democracia, nosso povo prefere mesmo ser macaco de auditório. Na virada do século, quando o Grupo Globo firmou "oligopólio" com a CBF, limitou as transmissões em TV aberta dos campeonatos nacionais para duas ou três transmissões por semana e olhe lá. Os torcedores mais antenados percebeu que isso já não dá mais, desde após o lock-down da pandemia da Covid. É só notar que as mídias digitais, principalmente os streamings pagos, se privaram de mostrar um jogo sequer do Brasileirão, ou pelo menos uma transmissão por dia, o que no meu entendimento considero o procedimento mais correto. Mas e as outras modalidades? Vejam o caso da Fórmula 1. Quando a Band possuía os direitos de transmissão até pouco tempo, as mídias sociais no Brasil foram premiadas e agraciadas com imagens das corridas e algo mais, desde os melhores momentos até os em tempo real, mas bastou voltar para o ninho Global e deu pra trás, ou seja, voltou tudo como era antes. Porque que a ostensiva RecordTV não comprou a transmissão da Fórmula 1 para o Brasil? O SporTV mostra só os treinos e a Globo aberta as corridas em tempo real, na esperança de que consiga aquela audiência de antigamente (que pensamento mais retrógrado) e fazendo uma torcida descaradamente inútil para que o coitado do Gabriel Bortoleto se torne o novo Ayrton Senna (mesma coisa que fizeram com o Rubens Barrichello a partir da segunda metade dos anos 90). Ele só tá aprendendo e tem um estilo totalmente diferente dos outros pilotos brasileiros que vieram antes dele, ora essa. Pra vocês verem como a Globo até hoje não se acostumou ainda com a perda do piloto e com a seca que o automobilismo brasileiro vem enfrentando desde 1991. Pode isso, Regi?!

Eu adoraria muito que, no futuro, alguma empresa especializada em mídia esportiva do nosso país (sem ser grupo de comunicação, é claro) seja a detentora oficial dos direitos de venda de tudo quanto é transmissão de evento esportivo aqui no Brasil em tudo quanto é tipo de plataforma, sem privilegiar ninguém, e para as próximas Copas, sugiro a FIFA que a venda para cada plataforma audiovisual no Brasil seja dividida em um montão de blocos, como acontece na Alemanha, em que a própria federação de futebol colocou a venda uma porção de pacotes de transmissões do futebol nacional (copas e ligas) por quatro temporadas e faturou 4,4 BILHÕES de euros. Desde que seja para um CNPJ diferente, sendo absolutamente proibido o recurso de vendas casadas. Vejam minha sugestão:

Plataforma TV Aberta:
Pacote A - 104 jogos (92 em tempo real + 12 em delay)
Pacote B - 92 jogos em tempo real
Pacote C - 64 jogos licenciados em tempo real (sendo 2 por dia)
Pacote D - 32 a 36 jogos licenciados em tempo real (sendo 1 nos dias úteis e 2 nos finais de semana)

Plataforma TV Paga:
Pacote A - 104 jogos em tempo real
Pacote B - 104 jogos (92 em tempo real + 12 em delay)
Pacote C - 92 jogos em tempo real
Pacote D - 64 jogos licenciados em tempo real (sendo 2 por dia)

Plataforma Streaming Aberto (ou canais fast):
Pacote A - 104 jogos em tempo real
Pacote B - 92 jogos em tempo real
Pacote C - 64 jogos licenciados em tempo real (sendo 2 por dia)
Pacote D - 32 a 36 jogos licenciados em tempo real (sendo 1 nos dias úteis e 2 nos finais de semana)

Plataforma Streaming Pago:
Pacote A - 104 jogos em tempo real
Pacote B - 92 jogos em tempo real
Pacote C - 64 jogos licenciados em tempo real (sendo 2 por dia)
Pacote D - 32 a 36 jogos licenciados em tempo real (sendo 1 nos dias úteis e 2 nos finais de semana)

Voltando para a CazéTV, o canal é capaz de transformar um evento de segundo escalão em algo portentoso. Por isso, peço licença aos seguidores deste blog e mando aqui uma lista de algumas sugestões de eventos esportivos bem atrativos que o canal que virou notícia, um autêntico fenômeno de comunicação do ano, poderia transmitir num futuro próximo. Eventos estes relegados ao modo "medíocre" da dita grande mídia clubista e fã-clubista que nossa péssima cultura midiática tratou de moldar.

1) Universíada - Uma olimpíada disputada desde 1959, de dois em dois anos, com poucas modalidades com a participação apenas de atletas em nível universitário, tipo um sub-20 poliesportivo. O Brasil já sediou o evento, em 1963 em Porto Alegre, e a próxima edição vai ser em agora em 2027 na cidade de Chungcheong, na Coréia do Sul. Na última edição, realizado ano passado em Reno-Ruhr, na Alemanha, o Brasil conquistou duas medalhas de ouro, três de prata e sete de bronze. As medalhas de ouro foram conquistadas no basquete masculino (vencendo na final os Estados Unidos!) e no taekwondô (categoria até 57 kg) por Maria Pacheco.

2) Torneio Internacional de Toulon - uma competição bastante tradicional que reúne seleções de categorias de base do mundo todo (basicamente sub-21), disputado anualmente no sul da França, não necessariamente em Toulon, mas também em Aubange e Avignon, revelando grandes jogadores. Organizada regularmente desde 1974, é também chamada de "Festival Internacional de Esportes" ou "Torneio Maurice Revello". O Brasil já foi campeão desse torneio nove vezes (a última em 2019, revelando Matheus Cunha), só perdendo para a França, dona-da-casa, com 14 conquistas.

3) Liga MX - que pode ser perfeitamente chamada de Campeonato Mexicano de Futebol. Até porque o futebol mexicano sempre atraiu a atenção dos brasileiros e conquistou nossa simpatia. Houve uma época em que time mexicanos disputavam a Copa Libertadores da América e muitos desses times se tornaram bastante conhecidos pelo torcedor brasileiro. É um tipo de liga de futebol que merece estar no mesmo patamar que as ligas inglesa, alemã, espanhola, italiana, portuguesa, francesa, argentina, brasileira, japonesa, árabe, etc, etc, etc...


Deveria também investir em ações promocionais, com a intensão de melhorar não só o calendário do futebol, mas a organização de certas competições nacionais e internacionais e resgatar a essência de poder revelar de verdade os craques do futuro. Adoraria que a CBF pudesse promover a fusão de três grandes competições concentradas de categorias de base aqui do Brasil, organizadas por federações estaduais, que infelizmente, deu brecha para olheiros na caça de jogadores-revelação em troca de contratos para o exterior, sem dar tempo do atleta ter a chance de se firmar no "time de cima" do clube em que joga. A Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copa BH de Futebol Sub-17 e a Copa RS de Juniores viraram farra para esses empresários inescrupulosos e a CazéTV poderia tomar frente para que a CBF unificasse esses três torneios num só, sempre no mês de janeiro, diminuindo em quantidade e aumentando em qualidade, resgatando o objetivo principal do surgimento de novos jogadores. Outra ideia seria o canal promover um "concurso-reality" estimulando seus seguidores a elaborarem e sugerirem propostas concisas para um novo calendário do futebol brasileiro. Uma demonstração de que o torcedor não está apenas de braços cruzados torcendo enlouquecidamente para seu time do coração, ele quer sugerir, quer opinar, quer mostrar a cartolagem que dá pra melhorar as coisas com a bola rolando (mesmo que não seja aquela unanimidade). Além de poder criar um game-show (tipo Jeopardy) para testar os conhecimentos dos seguidores em relação as histórias do futebol.

É isso, vamos sair do convencional porque isso nos permite estimular a expandir nossos horizontes não só por uma TV melhor, mas por um esporte melhor e por um futebol melhor. Bola pra frente, Brasil! Agora, se você é hater da CazéTV, pode não saber, mas com certeza, no fundo, você não passa de um SBTista enrustido. Fique com sua TV de tubo e espere terminar a novela da Globo pós-JN para assistir aos maiores clássicos da pornochanchada brasileira ou mais uma temporada de Largados e Pelados Brasil. E que nos deixe em paz!
😛

sábado, 28 de março de 2026

ESPECIAL: Justiça ao Hamilton Lucas de Oliveira


TV aberta hoje é coisa pra terceira idade. Isso não é uma ofensa ou provocação sarrista, é a mais pura realidade. Cerca de 90% das pessoas que atingem a casa dos 60 anos, seja homem ou mulher, são as maiores consumidoras de TV aberta no Brasil. Escravos da Globo? Aversão a digitalização? Resistência ao streaming? Ou problema cultural? Se a TV 3.0 tem a intensão de "salvar" a TV aberta brasileira, prestem atenção na história a seguir, trata-se de uma tentativa de salvação não-correspondida.

Em 1992, a Rede Manchete se encontrava numa crise avassaladora e seu proprietário, Adolpho Bloch, tinha cogitado publicamente a possibilidade de vender a emissora, até porque sua dívida ultrapassava a casa dos 100 milhões de dólares. O que motivou tal situação foi o fracasso retumbante da novela Amazônia, cuja proposta era ser uma "continuação" do monstruoso sucesso que Pantanal havia sido.

Em São Paulo, havia um conglomerado que não tinha nada a ver com o audiovisual, a Indústria Brasileira de Formulários, que atravessava um momento de prosperidade plena. Seus serviços eram solicitados, tanto do setor privado quanto do setor público, para a impressão de documentos de identidade, passagens de avião, talões de cheque, papéis-moedas e, principalmente, bilhetes de loteria. Quem viveu os anos 90 vai se lembrar das infames raspadinhas. A IBF, inclusive, patrocinava o São Paulo Futebol Clube nessa época, quando o time, em plena Era Telê Santana, ganhava tudo: bicampeão paulista, campeão brasileiro, campeão da Libertadores e campeão mundial interclubes.


Ao saber que a Manchete iria ser vendida, o dono da IBF, o empresário Hamilton Lucas de Oliveira, viu uma luz acender em sua cabeça. Desenvolveu um plano para SALVAR a emissora e devolver seus momentos de glória que a consagrou em tão pouco tempo no ar. Casado com a filha de José Carlos Moraes (o célebre repórter Tico-Tico da TV Tupi) e amigo de David Raw (grande homem de mídia que literalmente implantou a televisão na Bahia, inaugurando as TVs Itapoan e Aratu), HLO fora aconselhado para não se meter no mundo da TV pois seria uma grande "furada", mas via o negócio como uma oportunidade de expansão de horizontes. Ele tinha sido sócio de Antônio Augusto Amaral "Tuta" de Carvalho e João Carlos Di Gênio para a implantação da TV Jovem Pan canal 16 UHF de São Paulo.

Após dois anos de namoro (e de choramingos de Adolpho Bloch), HLO iniciou o processo de compra da emissora, assumindo a quitação da dívida e mais a folha de pagamento dos funcionários, formalizando de praxe os contratos que foram devidamente autorizados pelo Ministério das Comunicações. Num desses contratos, havia uma cláusula importante: um prazo de 5 anos para cumprir os compromissos financeiros citados acima para oficializar de vez a transição de comando.


HLO estava pagando direitinho as parcelas da dívida (que é chamado de passivo na linguagem jurídica) e se dependesse dele, a Manchete seria vendida sem maiores problemas. Aliás, essa injeção inicial de dinheiro garantiu também a manutenção técnica dos equipamentos de gravação (fitas Beta, câmeras, aparelhos de VT, ilhas de edição, etc.), mas nesse trâmite todo, tiveram que deixar a sede do Russell, alugaram um prédio no Morro do Sumaré no Rio de Janeiro e transferiram a cabeça-de-rede para São Paulo.

Porém, na virada de 1992 para 1993, sentiu a situação de puro comodismo de Adolpho Bloch em não se mexer para uma mudança substancial no que diz respeito a parte administrativa da emissora e, de propósito, deixou de pagar a última parcela brigado com ele. Pressionado pelos enciumados sobrinhos, Bloch queria não só retomar o controle da emissora, queria era aumentar o valor da prestação da dívida que HLO estava pagando pontualmente, proposta esta negada pelo dono da IBF.

A versão oficial foi de que a IBF "traumatizou" a Família Bloch na administração da Rede Manchete, pois eles não tinham a joia da coroa do grupo para garantir sua saúde financeira. Somente o faturamento das bem-sucedidas publicações da Bloch Editores (Revista Manchete, Amiga, Pais & Filhos, Desfile, Ele Ela...) era insuficiente para Bloch, que não queria por nada deste mundo deixar o estilo de vida que custou a conquistar desde quando veio da Ucrânia, fugindo da Revolução Russa, para se instalar no Brasil na esperança de viver dias melhores. Como se viu, aqui ele ficou, nunca mais voltou.


Uma vez acionada a Justiça, Bloch conseguiu tomar de volta o controle da sua rede de televisão. Mas em 1999, quando a Manchete foi finalmente vendida a Tele-TV, HLO moveu uma liminar reivindicando para si as cinco concessões (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza) alegando que tinha pago mais de 90% da dívida há seis anos. Ele ganhou em primeira estância, porém, um time inescrupuloso de juízes e advogados, todos ligados ao poder governista de então e apoiados pelo grupo sucessor da Manchete, inventaram uma série de histórias que colocaram a falida IBF no "lixo da história" da TV (como o suposto envolvimento de HLO no Esquema PC) e a Justiça acabou dando ganho de causa em segunda estância a Amilcare Dallevo (atualmente o dono 100% da "Errei de TV").

HLO perdeu muito dinheiro, mas ele não é um aventureiro, não teve medo de investir em televisão, pelo contrário, foi estimulado em trocar a impressão de formulários pela mídia eletrônica. É um homem inocente (e de visão), ele não acabou com a Manchete como dizem por aí, os sobrinhos de Adolpho Bloch foram quem estragaram tudo. Dívidas milionárias com a EMBRATEL, salários dos funcionários atrasados, penduras inusitadas em hotéis, taxas de armazenagem bloqueados no Cais do Porto e até a perda de crédito nas agências de publicidade devido a comerciais não exibidos, foi o bastante para o plano do Grupo IBF em resgatar a Manchete ser sabotado.


Após o falecimento do "seu" Adolpho em 1995, muitos ex-funcionários que até hoje não receberam nada na transição de comando, reclamaram num só coro no final de 1998 quando a crise da Manchete atingiu seu ápice: Pedro Jack Kapeller, vulgo Jaquito (já falecido), tinha dinheiro e não queria pagar os funcionários (Fausto Silva tinha razão no carnaval de 1989 ao ser entrevistado pela reportagem da própria Manchete, pra descobrir o dinheiro do Jaquito era que nem cabeça de bacalhau, tem que ir na Noruega). Os problemas da Manchete sempre foram de natureza administrativa, o que acabou comprometendo, de fato, a parte financeira, como todo mundo sabe.

Como a Rede TV! está passando por um processo de "autodestruição" com esse repasse das ações de Marcelo "Dom Quixote" de Carvalho a Amilcare "Sancho Pança" Dallevo, creio eu que a falência desse erro de emissora (daí o apelido "Errei de TV") será sacramentada com o pagamento integral dos ex-funcionários da Manchete, cuja quantia será o equivalente ao patrimônio dessas "tecnologias baratas" acumuladas ao longo desses mais de 26 anos de existência sem ter acrescentando em nada na história, foi apenas mais uma, um supérfluo de TV que se promoveu às custas da concorrência que tanto paparica. O que dizer de que ainda têm ex-funcionários (e herdeiros de falecidos) da antiga TV Tupi que até agora não viram a cor do dinheiro desde a cassação de 1980, acreditando na promessa do SBT de que todos eles seriam pagos. Disso ninguém fala (e tome ações trabalhistas)!


Por isso que eu sempre digo quando tenho oportunidade em comentar algo oportuno: Amilcare, devolva as concessões pro Hamilton Lucas de Oliveira! Foi o maior erro judicial das comunicações brasileiras não terem passado o controle acionário da ex-Manchete a HLO no ano em que a emissora saiu do ar, em 1999. E nos primeiros meses de atividades da Rede TV!, muitos funcionários ficaram sem receber salário a ponto de tirar a programação do ar por alguns minutos denunciando em público os proprietários mal pagadores (repetindo o feito dos "manchetescos" em 1993).

E digo mais, bem que o HLO pudesse, de quebra, adquirir as concessões da CNT (Curitiba, Londrina, Rio de Janeiro, Americana/Campinas e Campo Grande) pois, depois do falecimento trágico do influente deputado José Carlos Martinez, a rede paranaense perdeu o rumo e se vendeu completamente a muleta financeira do "arrendamento evangélico". É outra rede aberta que está se autodestruindo! Se a TV aberta não se mexer e não se adaptar aos novos tempos que a TV 3.0 poderá proporcionar (e solucionar), seria melhor ela sair do ar para sempre. Afinal, pra quê ela existe então? Pra ter ciúme do sucesso dos Netflix e YouTubes da vida? Pro telespectador parar no tempo de propósito por excesso de orgulho? Ou servir de reduto para ganância de gente que desmanda e não entende nada de TV e mídia eletrônica? Afinal, em que ano nós estamos? 1998?

#JustiçaHLO

PS: Para conhecer melhor o caso, clique nos links a seguir e assista as entrevistas que Johnny Raw, filho do finado David Raw, e o próprio Hamilton Lucas de Oliveira concederam ao jornalista Luiz Santoro no canal Memória Manchete do YouTube.

sábado, 8 de novembro de 2025

OPINIÃO: A Que Ponto Chegamos (Especial de 10 Anos)


Hoje é dia 8 de novembro e este blog completa 10 anos de vida, não imaginaria atravessar a década como dono de blog, mesmo estando em baixa atualmente. Comecei por acaso, a pedido de um amigo virtual e também YouTuber, Higor Vieira, que achava que eu estava desperdiçando todo meu conhecimento e erudição pela televisão brasileira e que eu precisava lançar um blog à respeito. E ele estava certo, apesar da minha insegurança inicial, mas não sabia qual era a dinâmica para tal. Eu ainda estava pagando pela minha total inexperiência de interação com seguidores no YouTube, nesse caso "falsos-seguidores", aqueles que não são inscritos e mandam mensagens todos os dias para desabafar sobre suas predileções pessoais mais que tudo no mundo, a ponto de militar nas redes sociais, e acabam por sugar nosso sangue pelo canudinho. Aquilo me deixou pilhado e em algumas oportunidades, usei este blog para expor minhas frustrações, mas confesso que exagerei em alguns casos e isso meio que "afastou" alguns seguidores e perdi certos "amigos" (será que dá tempo de uma reconciliação?). O lock-down da pandemia da Covid-19 me ajudou a refletir sobre esses surtos, selecionar melhor minhas amizades e aqueles que ainda são sádicos e irônicos comigo por esporte, merecem meu ostracismo, minha desinscrição, meu bloqueio e minha desconsideração.

Os posts mais intensos e agressivos (eram quatro) tive que excluir pois aquilo era um fardo e daria brecha a essa panelinha de "viúvas do Pânico" que, passada uma década como agora, pararam no tempo preferindo bancar os agitadores de fã-clubes virtuais nada formais e insistir em acompanhar a TV brasileira do lado de fora, feitos fanáticos chatos, do que buscar informações e se colocar na pele dos que vivem e trabalham dentro desse meio, preferindo gostar de uma celebridade da mídia mais pela camisa que veste do que pelo seu caráter humano. Agora entendo porque alguns artistas e profissionais são em certos momentos "antipáticos" com esse tipo de gente que era legal, era o que imaginávamos, mas basta fazer um comentário num vídeo postado por um desses donos de canais e entrar completamente em desacordo com suas convicções sócio ideológicas, a ponto de moldar todo o ecossistema do YouTube no segmento "resgate à memória da TV brasileira", que você leva uma patada ou indireta dessa turminha (se é por isso, porque eles não se desinscrevem da gente do que ficar só no patrulhamento e perseguição?). É como aqueles clubinhos de amigos no passado (vulgo fraternidades universitárias que existem nos Estados Unidos), você precisa passar pelo "rito de passagem" para entrar, mas esse "rito" acontece todos os dias e é capaz de tirar a personalidade de uma pessoa em nome de uma suspeitosa "adoração". É a tal Síndrome de Estocolmo que denunciei neste blog faz um bom tempo.

Por trás desse comportamento nocivo ao conteúdo das redes sociais e que pode afetar para sempre a vida social e a saúde mental de qualquer um de nós, há uma enorme centelha de preconceito aos portadores do Espectro. Existem no mundo milhares de autistas (cujo termo estou substituindo por "portadores do Espectro") por trás de inúmeras contas de redes sociais que agem pelo impulso da emoção e não tem a mínima noção das precauções necessárias para não violar as "diretrizes da comunidade", as quais eles desconhecem. Por isso eu gostaria de expressar um desejo, adoraria que prefeituras municipais e até mesmo Governos estaduais lançassem um programa que estimulasse os recém-formados em psicologia a "adotarem" um portador do Espectro, cuja maioria, são de famílias que não possuem uma boa situação financeira e que, além de não bancar um terapeuta, discriminam deliberadamente o(a) próprio(a) filho(a) por desconhecer tal condição por total falta de informação. Esses psicólogos neograduados por sua vez, enquanto arranjam clientela, fazem uma especialização ou lutam para conseguir um consultório, mereceriam assumir o papel de tutores voluntários a esses portadores do Espectro num período de 1 ou 2 anos (dependendo da gravidade) para ensiná-los o que se pode fazer para ter uma vida bem mais sociável e, principalmente, o que não se deve fazer nas redes sociais. As terapias deveriam ser presenciais uma vez por semana e remotas duas vezes por semana. Dessa forma, os novos psicólogos vão ganhando experiência e os seus pacientes serão bem acolhidos e terão sua autoestima melhorada. Faço minhas as derradeiras palavras de Jesus Cristo (após sua crucificação) à respeito dos portadores do Espectro (dos quais eu me incluo) e do sadismo irônico de alguns YouTubers: "Perdoai-vos, Pai, porque eles não sabem o que fazem!".

Depois dos esclarecimentos (e do eterno perdão que peço a muitos de vocês), agora a opinião principal. Nós testemunhamos o pior aniversário que a TV brasileira já vivenciou em todos os tempos. Essas grandes comemorações só acontecem de 5 em 5 anos, já perceberam? Aliás, é assim que se comemora os 75 anos da TV brasileira? Há um ano fiz um post sobre seu estado vegetativo e o tempo comprovou que eu estava certo, modéstia a parte. E ainda incrementado com o possível "fracasso anunciado" da TV 3.0, fazendo do modus-operandi da controversa TV do passado, a pretexto de "tradição", a eterna primeira bolacha do pacote. Traduzindo, a TV aberta brasileira é um zumbi, vem encarando a TV 3.0 e o streaming como o fim do mundo e nem sequer está estimulando o público "cabeça-dura" e "tecnofóbico" a se preparar para essa transição colocando em rede nacional um tutorial à respeito. A carta aberta aos profissionais de mídia que eu publiquei por aqui define por si só minha preocupação à respeito desse fiasco monumental que a TV 3.0 pode se convencionar aqui no Brasil mediante a esse insuportável conservadorismo "analógico".


Estou protegendo minha saúde mental para não me pilhar ainda mais sobre esse submundo lamentável das emissoras abertas, que continuam encarando a Era Digital como "ameaça", somente de 20 à 25% do público espectador é que consome à torto e à direito a TV aberta, sendo cerca de 90% desse universo, maiores de 60 anos. Em bom português, quem mais assiste TV aberta nos dias de hoje é a "velharada". Essa "velharada" jamais será descolada, conteúdo descolado é só no streaming, YouTube e olhe lá. O que a "velharada" mais gosta de ver na TV? Filmes antigos, séries antigas, novelas antigas e enlatados em geral, pois muita coisa boa foi produzida ao longo desses últimos... 70 anos mais ou menos. Conteúdo factual, apenas notícias e esporte. Eles seguem aquilo que posso chamar de "cultura da roça", são extremamente conservadores, ansiosos, preconceituosos, religiosos e não gostam de reality-show ou coisa parecida. Isso quer dizer uma coisa, logo logo um canal aberto de TV (se é que a TV aberta brasileira continuará resistindo nos próximos anos) terá de se voltar exclusivamente para um seleto nicho de público, a dita terceira idade.

Sabe o desenho do Scooby-Doo? Em que um grupo de amigos resolvem um mistério envolvendo assombrações, monstros e fantasmas e sempre termina quando alguém é literalmente desmascarado, emendando com o manjado diálogo "Eu poderia ter me saído bem, se não fosse esses garotos intrometidos e esse cachorro pulguento". Esse poderia ser o perfeito final dos eternos remakes que a Globo insiste em fazer para defender seu suposto e cada vez mais diminuto monopólio do horário nobre, que nada mais são "versões lacradas". Posso seguramente comparar este caso com as produções atuais da Disney, que de tanto fazer remakes live-actions de seus eternos sucessos em animação de longa-metragem, inventou por reescrever a história e criar situações nada-a-ver a pretexto de inclusão social, mensagens subliminares e/ou economia de gastos. Batem tanto nessa tecla que isso se desgasta rapidamente. Por isso que os lançamentos mais recentes da Disney não estão repercutindo como deveriam quanto as de suas concorrentes (a Dreamworks ri por último).

Porque a Globo deu indiretas a Band naquele Upfront 2026? Justamente a Band, a única rede aberta brasileira que jamais deveria ser atacada de forma tão infantil, apesar de estar sobrevivendo por aparelhos e voltando a lançar mão das teleigrejas a pretexto de abastecer um caixa vazio (comprovando a previsão de muita gente que apostou no fiasco de Fausto Silva). A Globo deveria mesmo era cutucar suas rivais tão encardidas quanto desleais ao longo da história: Record e SBT. Principalmente esta última que historicamente adorou provocar a dita "Poderosa" (pra quem não sabe, o finado Clodovil foi o primeiro a criar o infame apelido à emissora-líder, imediatamente incorporado no vocabulário do verdadeiro "sucessor" de Silvio Santos chamado Carlos Roberto Massa). O novo final dessa recém-concluída "versão lacrada" de Vale Tudo deveria ser assim: o autor do assassinato de Odete Reutemann é na verdade um capanga, pau-mandado do mentor intelectual (Marco Aurélio), que por sua vez conseguiria desvirtuar as provas que o incriminariam e fazer da personagem mais honesta da trama (Raquel Accioly) o mais perfeito bode expiatório, indo pra cadeia por um crime que não cometeu (verdadeiro retrato da Justiça não só no Brasil, mas no mundo todo!) e enquanto aguarda o julgamento na prisão, prepara uma vingança como na história de O Conde de Montecristo. E quando vão desmascarar o tal capanga para o interrogatório, logo vão descobrir que quem matou Odete Reutemann foi na verdade... Ratinho??!!!


Bem que os Globalistas de plantão poderiam ter dito naquele evento fajuto que o Ratinho matou a Odete Reutemann, tratado há quase 30 anos por essa mídia fã-clubista e babona como eterna "ameaça roedora" de audiência e "inimigo público nº 1 da Globo" só porque tem (até hoje) urticária assumida da teledramaturgia de lá, mesmo que seja de "brincadeirinha" (sem contar o visível e crônico ciúme do sucesso para fins ibopísticos). Mas brincadeira tem hora. A Globo, enfim, mostrou sua verdadeira cara (como diz a trilha musical da novela supracitada) desafiando o Poder Divino, parafraseando indiretamente aquela tirada "Nem Deus afunda o Titanic", enquanto que o SBT é a terra-do-nunca para infanto-machistas-sádicos (e SBTistas enrustidos em geral) que "piraram o cabeção" e perderam o rumo completamente com o desaparecimento do cada vez mais endeusado "Patrão", tendo que apelar para um conselheiro espiritual (pra não chamá-lo de "pastor evangélico") a pretexto de exercer o cobiçado cargo de CEO da emissora (quem me dera um dia ser indicado para tal), mas que na verdade é mais um que age feito membro de fã-clube por lá do que como um profissional de verdade. Quanto a Record, somente quando um asteroide cair sobre nosso país é que a blindagem da Igreja Universal do Reino de Deus será finalmente aniquilada, só isso. Por total ignorância, ninguém sabe ou ninguém quer saber, mas a verdadeira ameaça ao poderio Global no Brasil não é o Ratinho, nem a IURD e tampouco a Netflix. Se chama... YouTube! Neste exato momento, existem mais pessoas consumindo conteúdos mais interessantes e até construtivos no maior portal audiovisual do mundo do que meros telespectadores esperando o momento certo para assistir seus (ultrapassados, diga-se de passagem) programas favoritos. Quem diz isso não sou eu, é o canal Conhecimento Disruptivo, que eu recomendo (apesar da quedinha pelo analógico, meio que "denunciada" num vídeo sobre a crise do Globoplay). Tudo indica que uma previsão do jornalista Gabriel Priolli pode se concretizar. Em março de 1988, numa matéria de capa da extinta Revista Imprensa, ele declarou que "em 2038, a Globo será batida", a meu ver isso pode fatalmente acontecer com uma década de antecedência!

Conclusão: o YouTube era pra ser visto como aliado/parceiro das emissoras e não como arquirrival. Este é o mais fiel retrato da televisão aberta brasileira de hoje em dia: crise de popularidade, déficit de desapego, conflito de gerações e seu orgulhoso atraso proposital transbordou por completo nosso copo d'água. É o videocassete contra a Netflix, o telefone fixo contra o Whatsapp, o Home Theater contra o Smartphone (ou Tablet), a hora da novela contra as "maratonas", o Ratinho (ou Luciano Huck) contra os Influencers, o radinho de pilha contra os Podcasts, as estações numeradas contra os Apps, o pay-per-view contra as Lives, o especial de Roberto Carlos contra os Loolapaloozas da vida e o Padrão Globo de Qualidade contra a liberdade de conteúdo. Eu termino este post com a seguinte frase que registrei no post anterior e faço questão de repeti-lo em letras maiúsculas: EU TENHO VERGONHA DA TV BRASILEIRA! E você?

#PorUmaTVMelhor

PS: Por tempo ainda indeterminado, as programações de TV só voltarão se eu tiver acesso ao Acervo Folha. Tenho uma extensão no navegador Mozilla Firefox (que eu não posso vazar por aí) que permite eu navegar em alguns acervos online sem login, exceção feita justamente ao Acervo Folha (e a Revista Veja também). Se alguém me emprestar um login que não estejam usando... (obrigado Chespirito, rsrsrs).

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

ESPECIAL: Carta Aberta aos Profissionais de Mídia do Brasil

Prezados profissionais de mídia, a quem interessar possa:

Me chamo Êgon Bonfim, tenho 39 anos, moro em São Paulo capital, sou portador do Transtorno do Espectro Autista (Síndrome de Asperger) de grau leve há oito anos e sou formado em Rádio TV desde 2010 embora não atuo profissionalmente, mas mantenho um canal no YouTube com o nome supracitado há 19 anos e um blog há nove anos chamado ÊHMB De Olho Na TV, cujos assuntos são a história da televisão brasileira.

Neste mês de agosto, eu estive na Set Expo 2025 no Centro de Convenções do Anhembi, aqui em São Paulo. Aliás, foi a primeira vez que visitei esta que é considerada a maior feira de mídia da América Latina onde pude conhecer os segredos de se produzir conteúdos audiovisuais e a grande novidade do ano, a TV 3.0. Foi a realização de um sonho particular. Recebi recentemente o oportuno e-mail da LineUp apresentando uma ótima explanação sobre a implantação da TV 3.0 no Brasil. É um assunto novo que aos poucos vem me despertando interesse, ainda mais explicando que o nosso país tem todas as ferramentas para criar um padrão próprio do chamado DTV+. Como foi frisado naquela mensagem, a tentativa de se fazer um sistema norte-americano de TV 3.0 "fracassou", mas não foi mencionado outros exemplos de outros continentes como o europeu e o asiático. Se o Brasil tem plenas condições de implantar um tipo próprio de DTV+ (segundo a mensagem, um padrão até sustentável), é preciso pegar um pouco do que deu certo nos outros continentes e não repetir os erros dos norte-americanos (ou até mesmo de outros países). Afinal, tem muito brasileiro que ainda acredita na velha máxima de que "o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil". Essa briga de adoção de padrões, me lembro disso muito bem, já existiu na implantação do HDTV em 2007 e não quero (como ninguém quer) presenciar uma "reprise digital". Do pouco que pude conhecer da TV 3.0, vi que os canais numerados darão lugar a aplicativos das emissoras, o espectador pode escolher o áudio do conteúdo que está assistindo, inserir legendas, escolher ângulos em transmissões de futebol, fazer compras durante um comercial e até mesmo responder pesquisas de opinião pública sem sair de casa através do controle remoto (o IBOPE parece não se interessar por inovações tecnológicas). Adoraria presenciar na prática uma demonstração completa de TV 3.0/DTV+.

Pois bem, como consumidor, telespectador, blogueiro e dono de um influente canal nas redes sociais, cujo foco é a manutenção/resgate da memória da televisão brasileira, vejo que o Brasil encontra grandes dificuldades para que a TV 3.0 seja ao menos aceita, tanto para os ditos teledifusores quanto para os espectadores. Existe neste país uma grave questão cultural que vem neutralizando a receptividade dessa que eu considero uma "revolução digital", não só no que tange o audiovisual, mas também nos serviços de aplicativos utilizados em smart-phones. E isso começou em 2020 devido ao lock-down provocado pela pandemia da Covid-19 e desde então só acelerou, de forma que ninguém deu conta a respeito dessas rápidas e constantes evoluções tecnológicas. A partir dali, venho reparando que o Brasil tem uma péssima cultura de mídia, na qual jamais aproveitou o legado de tudo aquilo que deu certo há algum tempo. Como um seguidor havia registrado num comentário certa feita a respeito do assunto, não basta apenas melhorar a qualidade de transmissão, é preciso melhorar a programação. E dele não tiro razão. De que adianta investir milhões de dólares para melhorar o sinal e adotar serviços correlatos se não pensam no conteúdo dos programas. Os gananciosos diretores de TV, salvo algumas exceções, deveriam se colocar na pele do espectador, respeitá-lo independente da faixa de idade e classe social e nunca se igualá-los (mediante o crescimento acentuado dos denominados "novos ricos"), o que faz as emissoras de TV aberta caminharem a passos largos para a chamada "vulgaridade" com a velha alegação de se fazer TV para o dito "povão", só para não se submeterem ao escrutínio do "complexo de superioridade". Essa acomodação corporativa permanece inalterada há cerca de 20/30 anos.

Registrando aqui com todas as letras, eu tenho vergonha da TV brasileira de hoje em dia, por mais que ela tenha feito uma série de coisas boas e importantes e obtido grandes conquistas ao longo dos seus 75 anos de existência. A tecnologia é importante para as nossas vidas, sou a favor dela e apoio a inclusão digital não só dos jovens, mas àqueles que estão na casa dos 60 anos, que são "escravos da Globo" e que, por puro orgulho ou dificuldade não admitida, são assumidamente tecnofóbicos, só usam celular para dar telefonemas, passar recados e mexer nas comunidades sociais, mais nada. É preciso uma mudança cultural de âmbito nacional, pois somos reféns de interesses alheios à nossa vontade. Defendo a criação de uma legislação digital, o que poderia representar uma vanguarda para outros países que sofrem constantes casos de cyber-ataques. Os fabricantes de smart-TVs adaptados para as transmissões de DTV+ deveriam lutar para baratear os custos, facilitar a aquisição aos "menos abastados" e oferecer tutoriais simplificados para derrubar naturais inseguranças como a criação de login e senha nesses novos aparelhos para o acesso aos serviços e poder assistir aos conteúdos. Do jeito que andam as coisas, acho difícil a TV aberta ganhar sobrevida com a TV 3.0 e competir em pé de igualdade com o streaming, que veio para ficar e tomou conta de mais da metade do mercado consumidor audiovisual brasileiro.

Nesse panorama todo, me vem agora uma dúvida. Em dezembro passado, viajei para Ubatuba, litoral norte paulista, e no quarto em que eu estive hospedado, havia um smart-TV da marca Samsung e vi algo que eu até então desconhecia: canais fast. O acesso é exclusivo para quem possui aparelhos daquela marca (TV, PC, smart-phone, etc), mas com o advento da TV 3.0, essa Samsung TV Plus e seus quase 100 canais fast é uma espécie de vanguarda ou é só uma experiência comercial/variação do que está sendo trabalhado na implantação nacional da DTV+? Fico dividido mediante aos fatos e a abordagem a seu respeito, tenho esperanças de que a TV 3.0 dê certo no Brasil, mas se as grandes redes continuarem apostando nos mesmos truques, na repetição de fórmulas batidas de 20/30 anos atrás e teimarem em se conformar com a disputa pela audiência de 1/4 do público telespectador, a TV 3.0 corre o sério risco de não dar certo no Brasil, como aconteceu nos Estados Unidos (tudo por conta dessa questão cultural que mencionei parágrafos anteriores). É preocupante, basta querer aceitar a mudança e deixar o pedestal da negação que dividiu o nosso país. Até porque uma coisa é a implantação, outra coisa é a aceitação.

Atenciosamente
Êgon Bonfim

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

ESPECIAL: Minha Visita na Set Expo 2025


O Centro de Convenções do Anhembi em São Paulo, realizou entre os dias 19 e 21 de agosto, uma das maiores feiras de mídia da América Latina: a Set Expo 2025, organizada pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão, criada em 1988 com a finalidade de oferecer suporte técnico a grupos ligados ao setor audiovisual. Como a inscrição para o acesso a feira era gratuita, me arrisquei, me inscrevi e não me arrependi. Fiquei maravilhado com o que vi, tive acesso a uma porção de equipamentos de televisão que jamais tive contato, nem mesmo no tempo em que eu cursava Rádio e TV na faculdade! Saí de lá renovado, feliz e familiarizado com tecnologias que, conforme o tempo, vão se modernizando a todo instante, ainda mais nesses tempos de "Revolução Digital". Quer ver como foi?

Essa é uma mini-câmera 4K configurada para ser operada tanto em joystick quanto com IA

Essa é a aparelhagem da EVS para produção de replays e câmera lenta em transmissões esportivas

Demonstração de canais de áudio em tribunas de imprensa, utilizados nas Olimpíadas, Pan, Copas do Mundo, etc

No stand da Canon, uma demonstração de cenário virtual a partir de espaços pequenos como este

O resultado final pode ser visto neste monitor à direita, recorte digital sem necessidade de chroma-key

Este equipamento é o controle mestre (master), que manda pro ar tudo aquilo que a gente assiste na telinha

O meu stand preferido na set Expo 2025 foi este aqui da Panasonic, gostei muito desses equipamentos

Além das câmeras portáteis acima (e a do trilho), usadas no telejornalismo, tem essa belezura de câmera de estúdio

Eu realizando um "sonho": manejando uma câmera de estúdio top de linha

Já essa câmera é mais equipada: tripé com rodinhas e uma poderosa lente da Canon, ideal para grandes eventos

O som também é importante na TV, este é um equipamento de áudio voltado para o entretenimento

Este é um stand de iluminação (neste caso, da Nanlux), ponto importante na realização de produções audiovisuais

Olhem o tamanho da criança! Um mega-refletor muito usado no cinema, telefilmes e teledramaturgia

Esse é o stand da Greika, outra empresa especializada em iluminação para o setor audiovisual

Para concluir o assunto iluminação, uma mesa especializada para configurar todo tipo de luz de acordo com a necessidade

Isso lembra uma câmera fotográfica, mas é uma câmera digital especializada na produção de longas e docs

Pra quem curte cinema, mais equipamentos para tal e para outras coisas, no stand da Deity

Essa aqui é top de linha, uma câmera de cinema 100% digital com direito ring light em torno da lente

Eu sentado num set cercado por telões de LED, a tendência de videowall nos dias de hoje

O rádio não foi esquecido na Set Expo 2025, veja aqui um equipamento completo para radiojornalismo e FMs

Falando em jornalismo, eis o teleprompter (TP), sendo este aqui já fabricado com uma câmera própria

Eis o segredo, o texto chega redigido neste PC e passa para um programa onde o texto é enviado aos TPs

Outro segredo das câmeras TP, este controlador configurado com IA para canais de notícias 24 horas

Aqui uma outra central para montagem de cenários virtuais, dessa vez a partir de um chroma-key

Veja como ficou o resultado final, a partir de um espaço pequeno virou essa imensidão virtual

Outro exemplo de cenário virtual, este aqui é bem mais elaborado com direito a GC e painel touch screen

Cabos de fibra ótica, última palavra em conexões para câmeras, luzes, microfones e sistemas de dados

Agora veja cessa cena, um set de filmagem com telão LED simulando um vagão do metrô

Este veículo está equipado com duas câmeras, uma suspensa no teto e outra de frente no capô

Vejam a tal da câmera suspensa em ação, na grua, muito utilizada em transmissões esportivas

Este é um tipo de antena transmissora digital totalmente adaptada para TV 3.0

Esse equipamento é instalado na ponta das torres de TV, com direito a sinalizador aéreo

Da próxima vez que você comprar uma Smart-TV, essa será a interface para você poder acompanhar os canais 3.0

Basta ter sinal de internet, login, senha e pronto. Clique num dos aplicativos e assista aos conteúdos gravados ou ao vivo

A Sony é indiscutível em matéria de aparelhagem audiovisual, veja neste set cada visão para cada tipo de câmera

A visão de uma autêntica câmera Sony HDC-3500, também top de linha

Uma estrutura básica de switcher (ou mesa de corte) partindo de três câmeras, preview e visão PGM

Esse equipamento é responsável pela seleção de imagens, seja matéria gravada ou ao vivo que irá para o ar

Esse é o multiview, que pode permitir a transmissão simultânea de/para até 10 lugares diferentes

Isto aqui é o intercom, que permite a comunicação entre a direção na switcher e a produção no estúdio

Eu experimentando um headset adaptado para intercom, aquela que a equipe de produção utiliza no estúdio

Esta aparelhagem toda é uma mostra de como funciona o "famigerado" ponto eletrônico

O ponto eletrônico está ficando invisível, tive a oportunidade de testá-lo, lembra um aparelho auditivo da Telex

No belíssimo stand da The Led, me deparei com este carrinho com minigrua, ideal para produções de entretenimento

Não podia faltar o Adobe Première, o editor de imagens nº 1, tanto para uso doméstico quanto para profissional

Um mapa demonstrativo de como se faz atualmente telejornalismo em tempos de "Revolução Digital"

Essa caixinha é demais, é um experimento, regionaliza os intervalos comerciais a partir de uma transmissão em rede

Agora um pouco de história, uma mostra de câmeras antigas. Esta é uma das primeiras câmeras utilizadas no Brasil

Esta é uma réplica de uma câmera valvulada RCA dos anos 50 e 60, note como um câmera-man sofria pra se posicionar

Uma autêntica RCA tubular dos anos 70 e 80, da exposição sobre os 75 anos da TV brasileira

Um dos primeiros aparelhos de TV importados no Brasil em 1950, das candongas de Assis Chateaubriand

Este é provavelmente um dos primeiros aparelhos de TV fabricados aqui no Brasil, no início dos anos 50

Aqui, uma mostra de aparelhos de TV, entre réplicas e exemplares originais dos anos 70, 80 e 90

O meu aparelho televisor preferido da mostra é esse mini Semp Toshiba, me deu vontade de ter um desse

Tinha até um microfone antigo para que as pessoas pudessem posar para "bancar o calouro"

De volta a feira, deparei com um robô movido a IA passeando por lá, andava, cumprimentava e dava "tchauzinho"

Este é o Robô Máximus, que dava informações sobre a Set Expo 2025 e tirava fotos conforme era solicitado

Vejam a foto que o Robô Máximus tirou de mim, uma boa lembrança da feira, e eu até sai bem no retrato

Outro robô se fez presente, mas este aqui é de quatro patas, um cão-robô manejado a distância por um "adestrador"

Este aqui é o stand da Claro Empresas, demonstrando como será a TV por assinatura na Era 3.0

Set Expo, parabéns, aprendi bastante sobre tecnologia audiovisual, até a próxima oportunidade!

Depois dessa, gostaria de visitar uma outra feira de mídia, mas dessa vez com stands dos grupos de comunicação (Netflix, YouTube, Grupo Globo, Newco, etc) discutindo os conteúdos propriamente ditos. De que adianta investir milhões de dólares para a modernizar os equipamentos, se não fazem o essencial: melhorar a qualidade de conteúdo pra quem está do outro lado da telinha. Você que é morfético, sádico, baba ovo da mitologia televisiva e que não passa de um peso morto pra sua parentela, da próxima vez que surgir uma feira de mídia em sua cidade e sentir vontade de visitar e saber como se faz um conteúdo audiovisual e a inscrição for gratuita, não pense duas vezes: se inscreva. Eu recomendo, você vai mergulhar nessa experiência incrível que acabei de ter e compartilhar por aqui.

Para terminar, a evolução das câmeras de TV: RCA anos 50, RCA anos 70 e Ikegami 2025

Meu único lapso nessa feira foi não ter tirado a foto desta bela LED esfera na horizontal!