OPINIÃO: A Lei Áurea da Revolução Digital

O Bóris Casoy teria razões de sobra para dizer de boca cheia seu célebre jargão durante a Copa do Mundo FIFA 2026 "Isso é uma vergonha...

segunda-feira, 22 de junho de 2026

OPINIÃO: A Lei Áurea da Revolução Digital


O Bóris Casoy teria razões de sobra para dizer de boca cheia seu célebre jargão durante a Copa do Mundo FIFA 2026 "Isso é uma vergonha" e não estou falando da preparação da Seleção Brasileira. O monopólio Global, a meu ver, pelo menos na mídia tradicionalista, está longe de acabar. Só mesmo quando um asteroide cair sobre nosso país que tudo vai terminar. Os chamados "miseráveis", que não possuem um smart-phone sequer por mais "vagabundo" que seja, devem estar aborrecidos e magoados com o fato de presenciarem o maior veículo de comunicação do Brasil, o Grupo Globo, limitar o número de jogos transmitidos desta Copa do Mundo e impor regras doentias para certas concorrentes (leia-se o simulcast SBT/N-Sports) que se atreverem a dividir a transmissão com ela e mostrar os mesmos 32 jogos que a dita cuja mostra, alegando "direitos de licenciamento", e privar o grande público de assistir muitos jogos importantes em tempo real dessa que é, sem dúvida, a "maior Copa de todos os tempos". É o mesmo modus-operandi de 20 anos atrás, em que a Band, por contrato, repetia os mesmos jogos transmitidos pela Globo no Paulistão, Copa do Brasil e Brasileirão, e acabou com a fonte seca (cujas sequelas são sentidas até hoje em seu caixa). Ou seja, licenciamento imposto por um grupo de comunicação faz mal para os cofres. O YouTuber Allan Simon, especialista em mídia esportiva, chegou a comentar que esse tipo de método de licenciamento de direitos de transmissão de futebol não é nada viável. Será que a Globo quer se vingar do SBT? Com a intensão de quebrá-la financeiramente após ter sofrido 45 anos de bullying da mesma?

Outra decepção é na TV paga e, nesse ponto, agora entendo o quão é nocivo para o ecossistema das comunicações auriverdes o tão alardeado "Uma Só Globo". Creio eu que é um mecanismo de aglutinar num único CNPJ os direitos de transmissão do esporte em geral (não só o futebol). E cada vez mais o esporte vem se fortalecendo como uma das principais atrações do audiovisual brasileiro, ao lado do jornalismo, séries e filmes de longa-metragem. Isso é fatal pois expõe a vulnerabilidade daqueles que vendem esses direitos de transmissão e aceitarem caçambas de dinheiro, ao mesmo tempo em que são neutralizados no que diz respeito a imposição de regras, permitindo uma coleção de vendas casadas. Mais uma vez, o SporTV cometeu mancada e está repetindo os mesmos limitados jogos que sua matriz da TV aberta está transmitindo, só que com equipe própria. Eu até desisti de acompanhar a Copa pelo canal pago, os narradores estão exagerando demais nos gritos (coisa que não era do feitio de alguns locutores "comportados"). Não se pode igualar em um só CNPJ a abordagem do evento de outras plataformas, cada plataforma tem seu tipo específico de público, abordagem e linguagem, essa é a conclusão que eu tiro. Deveria ter um mínimo de respeito aos públicos diferenciados para cada plataforma existente. Pra refrescar a memória, na última Copa, então com 32 países e 64 partidas, o SporTV deixou de mostrar quatro desses jogos em tempo real em seus canais alternativos e o contrato para FWC Catar/2022 obrigava o Grupo Globo a mostrar ao vivo todos os 64 jogos, mas na última rodada da fase de grupos, por exemplo, mostrou ao vivo (pelo Grupo H) Uruguai x Gana e fez Portugal x Coréia do Sul se relegar a uma exibição em delay (o antigo VT completo). O segundo canal maratonava as lutas do Campeonato Mundial de Judô, até aí tudo bem, mas o terceiro canal teve a pichorra de exibir (ou reprisar) dois especiais, um de UFC e outro de MMA bem na hora do jogo. Como pode o maior grupo brasileiro de comunicação usufruir de um único CNPJ para querer a exclusividade da Copa pra todo sempre amém, limitando o número de transmissões para TODAS as plataformas que tem a disposição e privando o público em poder acompanhar ao menos os resultados em tempo real daqueles jogos tachados de "medíocres" pela grande mídia?!


A salvação da lavoura está num canal do YouTube que, neste momento, vem revolucionando o modo de se cobrir, transmitir e assistir um jogo de futebol numa tela qualquer, seja smart-phone, tablet, laptop, notebook, PC tudo em 1 ou smart-TV. E não satisfeito com isso, está se tornando o porta-estandarte da Revolução Digital que o Brasil tava precisando desde o lock-down da pandemia da Covid, em que os macacos-velhos de plantão não se enxergaram e nem sequer reviram seus suspeitosos conceitos, preferindo moldar nossa sociedade em troca de muita propina. Tem gente que não gosta, o fã-clubismo das redes sociais por certas emissoras abertas sente uma inveja inflamada na maior covardia, mas temos que admitir que a CazéTV mal iniciou os trabalhos da FWC United/2026 e começou goleando a mídia convencional mostrando TODOS os 104 jogos da competição. O que começou com uma sociedade numa obscura plataforma paga chamada Twitch, há quatro anos, para a exibição ao vivo de jogos do Atlético-PR, hoje o canal cresceu tanto que suas transmissões esportivas são gratuitas e liberadas para todos (independente se você é inscrito ou não) e vem melhorando seu nível a cada dia, apesar da linguagem adaptada (e aceitável) das redes sociais, sempre contando com uma generosa cota de seriedade (como não pode deixar de ser), para uma mídia nova que, aos poucos, vem sendo descoberta e ganhando notoriedade. No streaming, você pode dizer, com classe, que "fulano é foda" e "cicrano cometeu uma cagada", coisas que até mesmo numa TV paga você não pode se atrever a balbuciar (agradeçam ao falso-moralismo que moldou a TV brasileira de tubo). O Casemiro Miguel, que atua como comentarista nas transmissões, está de parabéns, ele é um cara esperto que percebeu o potencial do streaming livre no filão esportivo, uma atração que jamais deverá sair do ar em nenhuma plataforma audiovisual brasileira. Posso dizer que o tal Cazé (de Casemiro, nada tem a ver com o Cazé Peçanha, ex-VJ da saudosa MTV Brasil) está se tornando uma espécie de mecenas do esporte brasileiro nas telas, ou melhor, cumprindo o papel de "Princesa Isabel da comunicação brasileira", isso justifica o título deste post. Nas palavras do outro Cazé "Aêêê, sensacionaaaal!!!".

Se ao primeiro momento, eu imaginava um grupo sarrista e piadista tanto quanto há fartamente na TV aberta (que adora a exposição ao ridículo), logo quando começou a Copa me surpreendi. A equipe da CazéTV tem carisma e é super antenada, os comentários repletos de detalhes incríveis e conteúdo considerável, capazes de transformar um jogo dito "medíocre" numa atração de primeira grandeza. Sobre seus integrantes na cobertura da Copa, destaco na narração, Marcelo Hazan. Ele tem um timbre de voz agradável e adequado para uma transmissão de futebol dos novos tempos, sem gritos excessivos. Temos o experiente Fernando Nardini, que captou logo de cara a vibe da CazéTV e vem conseguindo um ótimo desempenho, mas precisa controlar um pouco seus "surtos". Foi uma boa contratação para o canal do veterano Narda, aliás, eu o acompanho há muito tempo, desde quando ele atuava na TV aberta, com passagens na Band e na Record. O Gonçalo Luís também tem um tom de voz aceitável, mas precisa rechaçar um pouco os gritos que aí vai melhorar bastante sua performance. Lógico que os agudos do Raony Pacheco e do Alex Zudo incomodam um pouquinho, mas é bom sempre separar o joio do trigo, já o Luiz Felipe Freitas vem progredindo com uma incrível segurança, controlando com sabedoria seus supostos "berros" e melhorando cada vez mais seu nível, tendo a consciência e a responsabilidade de ser o titularíssimo do canal, ganhando cada vez mais a confiança do "comparsa" Casemiro Miguel. No time de comentaristas, a mulherada vem demonstrando que entendem muito de bola, dão mostras de confiabilidade e estão bem atentas com as condições físicas dos craques da Copa. A Laura Luzzi e a Amanda Vianna mostram que beleza não põe mesa e são bastante eloquentes no timing das palavras bem colocadas durante as transmissões. Lógico que a experiência de uma Juliana Cabral (ex-capitã da Seleção Brasileira Feminina de Futebol) vem fazendo toda diferença, sua visão de jogo, até de duelos aparentemente "medíocres", é incrível. Pelo menos, a CazéTV não se contenta em transmitir os jogos em off, tem pelo menos uma equipe em cada local onde os jogos estão sendo realizados. Não vejo até agora da parte deles nenhuma patriotada excessiva de "gente ignorante", que é uma coisa tão comum que enche o saco de quem bate o pé pela TV aberta (leia-se Rede Globo) e a obsessão pela ultrapassada batalha ibopística vinda de um instituto homônimo que não troca a TV de tubo e o computador de 8 bits pelas mídias digitais por nada deste mundo. Isso me cheira a sujeira escondida por debaixo do tapete (os conchavos entre os Marinho e os Montenegro), não acham?


Acho muito desnecessária (e uma grande bobagem) essa briga mesquinha entre o Grupo Globo e a CazéTV pelos direitos de transmissão do esporte, até porque "o sol brilha para todos". Cada um tem sua plataforma específica e, torno a repetir, seu público específico para tal: quem prefere o streaming livre, vai sempre assistir futebol no streaming livre, agora quem gosta de ver na TV aberta, irá sempre ver a bola rolando na TV aberta, assim como na TV por assinatura. O público mais maduro, adulto e idoso, que mais assistem TV aberta no Brasil, jamais terão um comportamento "descolado", meio que imposto pelas grandes redes. Isso é democratizar as comunicações, que procura acabar com a maldição da competição, mas, culturalmente, o Brasil não gosta de democracia, nosso povo prefere mesmo ser macaco de auditório. Na virada do século, quando o Grupo Globo firmou "oligopólio" com a CBF, limitou as transmissões em TV aberta dos campeonatos nacionais para duas ou três transmissões por semana e olhe lá. Os torcedores mais antenados percebeu que isso já não dá mais, desde após o lock-down da pandemia da Covid. É só notar que as mídias digitais, principalmente os streamings pagos, se privaram de mostrar um jogo sequer do Brasileirão, ou pelo menos uma transmissão por dia, o que no meu entendimento considero o procedimento mais correto. Mas e as outras modalidades? Vejam o caso da Fórmula 1. Quando a Band possuía os direitos de transmissão até pouco tempo, as mídias sociais no Brasil foram premiadas e agraciadas com imagens das corridas e algo mais, desde os melhores momentos até os em tempo real, mas bastou voltar para o ninho Global e deu pra trás, ou seja, voltou tudo como era antes. Porque que a ostensiva RecordTV não comprou a transmissão da Fórmula 1 para o Brasil? O SporTV mostra só os treinos e a Globo aberta as corridas em tempo real, na esperança de que consiga aquela audiência de antigamente (que pensamento mais retrógrado) e fazendo uma torcida descaradamente inútil para que o coitado do Gabriel Bortoleto se torne o novo Ayrton Senna (mesma coisa que fizeram com o Rubens Barrichello a partir da segunda metade dos anos 90). Ele só tá aprendendo e tem um estilo totalmente diferente dos outros pilotos brasileiros que vieram antes dele, ora essa. Pra vocês verem como a Globo até hoje não se acostumou ainda com a perda do piloto e com a seca que o automobilismo brasileiro vem enfrentando desde 1991. Pode isso, Regi?!

Eu adoraria muito que, no futuro, alguma empresa especializada em mídia esportiva do nosso país (sem ser grupo de comunicação, é claro) seja a detentora oficial dos direitos de venda de tudo quanto é transmissão de evento esportivo aqui no Brasil em tudo quanto é tipo de plataforma, sem privilegiar ninguém, e para as próximas Copas, sugiro a FIFA que a venda para cada plataforma audiovisual no Brasil seja dividida em um montão de blocos, como acontece na Alemanha, em que a própria federação de futebol colocou a venda uma porção de pacotes de transmissões do futebol nacional (copas e ligas) por quatro temporadas e faturou 4,4 BILHÕES de euros. Desde que seja para um CNPJ diferente, sendo absolutamente proibido o recurso de vendas casadas. Vejam minha sugestão:

Plataforma TV Aberta:
Pacote A - 104 jogos (92 em tempo real + 12 em delay)
Pacote B - 92 jogos em tempo real
Pacote C - 64 jogos licenciados em tempo real (sendo 2 por dia)
Pacote D - 32 a 36 jogos licenciados em tempo real (sendo 1 nos dias úteis e 2 nos finais de semana)

Plataforma TV Paga:
Pacote A - 104 jogos em tempo real
Pacote B - 104 jogos (92 em tempo real + 12 em delay)
Pacote C - 92 jogos em tempo real
Pacote D - 64 jogos licenciados em tempo real (sendo 2 por dia)

Plataforma Streaming Aberto (ou canais fast):
Pacote A - 104 jogos em tempo real
Pacote B - 92 jogos em tempo real
Pacote C - 64 jogos licenciados em tempo real (sendo 2 por dia)
Pacote D - 32 a 36 jogos licenciados em tempo real (sendo 1 nos dias úteis e 2 nos finais de semana)

Plataforma Streaming Pago:
Pacote A - 104 jogos em tempo real
Pacote B - 92 jogos em tempo real
Pacote C - 64 jogos licenciados em tempo real (sendo 2 por dia)
Pacote D - 32 a 36 jogos licenciados em tempo real (sendo 1 nos dias úteis e 2 nos finais de semana)

Voltando para a CazéTV, o canal é capaz de transformar um evento de segundo escalão em algo portentoso. Por isso, peço licença aos seguidores deste blog e mando aqui uma lista de algumas sugestões de eventos esportivos bem atrativos que o canal que virou notícia, um autêntico fenômeno de comunicação do ano, poderia transmitir num futuro próximo. Eventos estes relegados ao modo "medíocre" da dita grande mídia clubista e fã-clubista que nossa péssima cultura midiática tratou de moldar.

1) Universíada - Uma olimpíada disputada desde 1959, de dois em dois anos, com poucas modalidades com a participação apenas de atletas em nível universitário, tipo um sub-20 poliesportivo. O Brasil já sediou o evento, em 1963 em Porto Alegre, e a próxima edição vai ser em agora em 2027 na cidade de Chungcheong, na Coréia do Sul. Na última edição, realizado ano passado em Reno-Ruhr, na Alemanha, o Brasil conquistou duas medalhas de ouro, três de prata e sete de bronze. As medalhas de ouro foram conquistadas no basquete masculino (vencendo na final os Estados Unidos!) e no taekwondô (categoria até 57 kg) por Maria Pacheco.

2) Torneio Internacional de Toulon - uma competição bastante tradicional que reúne seleções de categorias de base do mundo todo (basicamente sub-21), disputado anualmente no sul da França, não necessariamente em Toulon, mas também em Aubange e Avignon, revelando grandes jogadores. Organizada regularmente desde 1974, é também chamada de "Festival Internacional de Esportes" ou "Torneio Maurice Revello". O Brasil já foi campeão desse torneio nove vezes (a última em 2019, revelando Matheus Cunha), só perdendo para a França, dona-da-casa, com 14 conquistas.

3) Liga MX - que pode ser perfeitamente chamada de Campeonato Mexicano de Futebol. Até porque o futebol mexicano sempre atraiu a atenção dos brasileiros e conquistou nossa simpatia. Houve uma época em que time mexicanos disputavam a Copa Libertadores da América e muitos desses times se tornaram bastante conhecidos pelo torcedor brasileiro. É um tipo de liga de futebol que merece estar no mesmo patamar que as ligas inglesa, alemã, espanhola, italiana, portuguesa, francesa, argentina, brasileira, japonesa, árabe, etc, etc, etc...


Deveria também investir em ações promocionais, com a intensão de melhorar não só o calendário do futebol, mas a organização de certas competições nacionais e internacionais e resgatar a essência de poder revelar de verdade os craques do futuro. Adoraria que a CBF pudesse promover a fusão de três grandes competições concentradas de categorias de base aqui do Brasil, organizadas por federações estaduais, que infelizmente, deu brecha para olheiros na caça de jogadores-revelação em troca de contratos para o exterior, sem dar tempo do atleta ter a chance de se firmar no "time de cima" do clube em que joga. A Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copa BH de Futebol Sub-17 e a Copa RS de Juniores viraram farra para esses empresários inescrupulosos e a CazéTV poderia tomar frente para que a CBF unificasse esses três torneios num só, sempre no mês de janeiro, diminuindo em quantidade e aumentando em qualidade, resgatando o objetivo principal do surgimento de novos jogadores. Outra ideia seria o canal promover um "concurso-reality" estimulando seus seguidores a elaborarem e sugerirem propostas concisas para um novo calendário do futebol brasileiro. Uma demonstração de que o torcedor não está apenas de braços cruzados torcendo enlouquecidamente para seu time do coração, ele quer sugerir, quer opinar, quer mostrar a cartolagem que dá pra melhorar as coisas com a bola rolando (mesmo que não seja aquela unanimidade). Além de poder criar um game-show (tipo Jeopardy) para testar os conhecimentos dos seguidores em relação as histórias do futebol.

É isso, vamos sair do convencional porque isso nos permite estimular a expandir nossos horizontes não só por uma TV melhor, mas por um esporte melhor e por um futebol melhor. Bola pra frente, Brasil! Agora, se você é hater da CazéTV, pode não saber, mas com certeza, no fundo, você não passa de um SBTista enrustido. Fique com sua TV de tubo e espere terminar a novela da Globo pós-JN para assistir aos maiores clássicos da pornochanchada brasileira ou mais uma temporada de Largados e Pelados Brasil. E que nos deixe em paz!
😛